quinta-feira, 15 de outubro de 2015

REFORMA PROTESTANTE (PARTE I)


A paz do Senhor, irmãos. Como havia prometido, neste mês irei publicar uma série de artigos sobre a Reforma Protestante.
Em primeiro lugar, antes de assimilar o conhecimento sobre o contexto da época, precisamos saber o seguinte: o que foi a Reforma Protestante? Podemos caracterizar este movimento cristão como uma volta aos princípios da Bíblia. Na época, a Igreja Católica era dominada pelo paganismo, estava totalmente afastada do Evangelho original escrito pelos apóstolos e evangelistas do século I. Além dos erros doutrinários, a Igreja Católica estava marcada pela corrupção financeira (venda de indulgências) e moral (escândalos, bebedeiras, prostituição, ganância pelo poder terreno). Como os movimentos e idéias pela reforma interna na Igreja Católica fracassaram, surge a Reforma Protestante. Este movimento cristão foi caracterizado por voltar aos princípios bíblicos, por praticar e viver as doutrinas originais do Evangelho, as quais haviam sido esquecidas e ofuscadas pelo crescente paganismo da Igreja Católica.
Mais que um movimento religioso, a Reforma Protestante foi responsável pela mudança de mentalidade do povo europeu, no fortalecimento e consolidação da burguesia (comerciantes e empresários), na queda do feudalismo e do poder terreno da Igreja Católica e a ascensão do absolutismo (os reis passaram a acumular poderes ilimitados), entre outras mudanças de caráter social, político e econômico.
Tendo em mente sobre o que foi a Reforma, podemos agora estudar sobre o contexto da época e as causas do movimento protestante:
•          Questão soteriológica (da salvação): foi o fato principal que ocasionou a Reforma. Na época, o conceito de salvação pela justificação da fé (Rm 1:17, Rm 3:23-26, Ef 2:8-9) foi substituído pelas obras. Para o homem medieval, a caridade, as peregrinações a Roma, as penitências e as flagelações em público substituíram o arrependimento dos pecados e a santificação interior. Mais tarde, no século XIV, o papa Clemente VII introduziu o comércio de indulgências. Ou seja, bastava o católico pagar em dinheiro pelos pecados que garantiria a salvação de si mesmo e das almas no Purgatório (outra doutrina católica fora da Bíblia). Assim, o fiel acreditava que seus pecados seriam perdoados sem precisar se arrepender e continuava a praticar o mal, pois mais tarde só precisava pagar a indulgência;
•          Questão doutrinária: desde a época do imperador romano Constantino, no século IV, a Igreja se afastava cada vez mais dos princípios bíblicos. Começou a permitir a entrada de crenças pagãs, contrárias à fé cristã. Entre elas, podemos citar: a estatização da Igreja (ou seja, mistura de Igreja e Estado, ora a Igreja era submissa ao Estado, ora o Estado era submisso a Igreja), o papa era a autoridade máxima e se autodeclarava como o sucessor dos apóstolos, a secularização da Igreja para permitir a entrada de pagãos não-convertidos, a introdução de imagens para os fieis adorarem, a idolatria a Maria, o clero se considerava como uma classe especial de crentes, a substituição do pão da Santa Ceia pela hóstia, o uso de velas, substituição do culto simples e fervoroso pela missa formalista e fria, introdução da doutrina do Purgatório, os sacerdotes católicos eram obrigados a ficar em celibato, a oração pelos mortos, os fieis estavam proibidos de ler a Bíblia, a tradição e a autoridade do papa no mesmo nível das Escrituras, entre outros;
•          Questão moral: entre o clero católico (padres, monges, bispos, abades, cardeais e o papa) também havia corrupção. Também havia adultério, prostituição, abusos sexuais, bebedeiras, assassinatos por questões de poder, venda a dinheiro de cargos eclesiásticos e envolvimento com as questões políticas das nações européias.
•          Questão política: desde a queda do Império Romano do Ocidente (476), o bispo de Roma, o papa, passou a acumular cada vez mais poderes para si. Com o tempo, a autoridade do papa se tornou predominante sobre toda a Igreja na Europa. Não só isso, como a doutrina da justificação pela fé foi substituída pelas obras e outras superstições populares, muitos fieis doaram terras e outros bens por medo de perderem a salvação e ir para o inferno. Assim, a Igreja chegou a possuir 33% das terras férteis do continente, o que com certeza causava muita inveja para os reis europeus. Não satisfeito com o poder econômico e eclesiástico, o papa quis ser também acima de qualquer autoridade política na Europa, até mesmo acima dos reis e nobres. Isso começou com Hildebrando, também chamado de Gregório VIII. Seu plano era ser a autoridade máxima na Terra, abaixo apenas de Deus. Ele queria estar acima de toda autoridade na terra, controlar a vida das pessoas, elegendo e depondo reis na terra, intervindo nas províncias. Ou seja, um governo teocrático. O apogeu do absolutismo papal foi durante a vida do papa Inocêncio III, no século XIII. Com certeza, esse extraordinário poder eclesiástico, econômico e político, deixou muitos reis europeus com inveja e sentimento de usurpar as terras e o poder político do papa. Mais tarde, abordaremos sobre a queda do poder político papal;
•          Questão econômica: os burgueses (comerciantes e empresários) também estavam descontentes com a Igreja Católica, pois esta proibia a prática da usura (empréstimo com juros). Por isso, a burguesia apoiava o aumento dos poderes dos reis, muito ligada a questão política. Com o absolutismo real, a burguesia tinha a intenção de adquirir financiamento de suas atividades econômicas e a legalização da prática da usura;
•          Questão ideológica: entre os séculos XIV e XVI, surgiu o Renascimento. Era um movimento cultural, científico, artístico e filosófico, no qual os intelectuais resgataram a arte e a literatura greco-romana, mas sem se importar com a opinião da Igreja Católica. Apesar de não ser um movimento religioso, foi responsável por mudar a mentalidade medieval, por abrir a mentalidade do povo europeu. Assim, o povo europeu começou a duvidar dos dogmas católicos e passou a aceitar os princípios da Reforma Protestante. Mais tarde, veremos este movimento com mais detalhes.
Como podemos observar, não só os fieis sinceros e que buscavam voltar aos padrões bíblicos queriam a Reforma da Igreja, mas todos os tipos de classes sociais e econômicas também desejam o mesmo, mas por motivos diferentes. Os reis, os burgueses e os intelectuais queriam se aproveitar da Reforma Protestante para atingir seus objetivos, os quais não tinham qualquer relação com os ideais dos reformadores.
Bibliografia:
KNIGHT, A. e ANGLIN, W. – História do Cristianismo. 2ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1983
SILVA, Paulo André Barbosa da – História da Igreja. Porto Alegre: Instituto Bíblico Esperança, 2013
GONZÁLEZ, Justo L. – História Ilustrada do Cristianismo, 2 vol. 2ª Ed. São Paulo: Vida Nova, 2011
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