sexta-feira, 15 de julho de 2016

HISTORICIDADE DO ANTIGO TESTAMENTO


Geralmente quando se estuda a confiabilidade das Escrituras, enfatiza-se os argumentos manuscritológicos a favor do Novo Testamento,  bem como as evidências da ressurreição. Não obstante, se fala menos do Antigo Testamento. Assim, segue-se agora uma condensação das evidências apresentadas por Geisler (2015) para a historicidade do Antigo Testamento e dos fatos nele relatados. A historicidade do Antigo Testamento é corroborada pela confiabilidade dos manuscritos veterotestamentários e dos relatos de seus autores.

CONFIABILIDADE DOS MANUSCRITOS VETEROTESTAMENTÁRIOS

       Há uma grande abundância de manuscritos do Velho Testamento. No século XVII, Kennicott apresentou uma lista de 615 manuscritos e Giovani de Roseli, uma de 731 manuscritos. Em 1890 foram encontrados 10.000 manuscritos em Genizá e em 1947 encontrou-se 600 manuscritos no mar morto. A segunda coleção de Firkowitch de Leningrado contém 1582 itens da Bíblia e dos massoretas. O texto hebraico padronizado do Antigo Testamento produzido por escribas judeus entre os séculos V e IX é chamado de “Texto Massorético”.
       Embora a maior parte dos manuscritos veterotestamentários datem entre os anos 800 a 1.100 d.C., algumas cópias recebem uma datação até mesmo anterior a feita por liberais. Os rolos do Mar Morto datam do século III a.C. e o Papiro de Nash está entre o século II a.C. e o século I d.C. Os grandes manuscritos do Antigo Testamento são:
  •  Oriental 4445: Contém a maior parte do Pentateuco.
  • Códice do Cairo: Contém a maior parte do restante do Antigo Testamento.
  • Códice de Leningrado: Contém todo o Antigo Testamento.
  • Códice Babilônico: Contém os Profetas posteriores.
  • Códice Reuchlin: Contém os profetas.

       A precisão dos Manuscritos do Antigo Testamento pode ser reconhecida devido às rígidas regras às quais estavam submetidos os copistas. Pode-se averiguar essa precisão pela correspondência das passagens paralelas (2Reis 18-20 – Isaías 36-39; Isaías 2.2-4 – Miquéias 4.1-3 e Jeremias 52 – 2 Reis 25), e pela comparação com a LXX (250 a.C.) e o Pentateuco Samaritano (séc. IV a.C. ou II a.C.). Quando se compara o Texto Massorético com os manuscritos do Mar Morto, mesmo tendo uns 1.000 anos de distância, há uma identidade de 95% entre eles. Isto é, não houve mudanças significativas mesmo depois de mil anos de cópias.

CONFIABILIDADE DAS HISTÓRIAS DO ANTIGO TESTAMENTO

·         Historicidade de Adão e Eva

       A Bíblia apresenta Adão e Eva como pessoas literais (Gênesis 1 – 2), que tiveram filhos literais (Gênesis 5.1), aparecendo em listas genealógicas de pessoas literais (1 Crônicas 1.1; Lucas 3.38) e citados por Jesus (Mateus 19.4-5) e por Paulo (Romanos 5.14; 1 Coríntios 15.45; 1 Timóteo 2.13-14) como pessoas reais. Logicamente era necessário que um casal humano, de macho e fêmea, desse origem a raça humana.
       Alguns dizem que Gênesis 1 – 2 não pode ser interpretado literalmente por ser um relato poético. No entanto, Gênesis 1 não é a forma típica de poesia hebraica em comparação com Salmos e Provérbios e Gênesis 2 não apresenta paralelismo poético. Outros dizem que o relato de Gênesis contradiz a Teoria da Macroevolução, mas esta não foi ainda cabalmente comprovada por evidências científicas.
       Há uma teoria que diz que Adão apareceu na terra por volta do ano 4.000 a.C. e que isso contradiz o fato de o primeiro fóssil humano ser anterior a 10.000 a.C. Sobre isso, é importante observar que a ideia de que Adão viveu por volta do ano 4.000 a.C. está baseada no pressuposto equivocado de que não existam lacunas nos relatos genealógicos de Gênesis 5 e 11. Ainda, sobre o fóssil humano ser anterior a 10.000 a.C. está pressuposto que o método de datação de fósseis primitivos é preciso, que o fóssil mais antigo com características humanas seja mesma de um humano com  alma e que ferramentas provam necessariamente a humanidade de uma criatura. Todas essas pressuposições são questionáveis.

·         Historicidade do Dilúvio

       O relato do Dilúvio é apresentado como um registro histórico (Gênesis 6.9;10.1), com localizações identificáveis (Gênesis 8.4; 10.9-12), cujos personagens aparecem em registros genealógicos posteriores (1 Crônicas 1.3,4) e considerado histórico por Isaías (54.9), Ezequiel (14.14,20), Jesus (Mateus 24.37-38), pelo autor aos Hebreus (11.7) e por Pedro (1Pedro 3.29; 2 Pedro 2.5; 3.5-13).
       Alguns creem que o Dilúvio foi restrito a uma região, argumentando que (i)  a expressão "mundo inteiro" na Bíblia pode se referir a uma área restrita (Atos 2.5), (ii) que depósitos de sedimentos de um Dilúvio similar ao bíblico são encontrados só no vale da Mesopotâmia e que (iii) haveria problemas astronômicos com a rotação da Terra no caso de um Dilúvio Global.
       Outros argumentam a favor de um Dilúvio Universal, observando que : (i) se o Dilúvio fosse restrito, a ordem divina para tomar os animais seria sem sentido, (ii) a Bíblia diz que toda a Terra foi repovoada pelos que estavam na arca e (iii) existem evidências geológicas de um Dilúvio global.
      No caso de um Dilúvio Universal, os seus defensores precisam lidar com alguns problemas, como a capacidade da arca, da sua resistência diante de uma enchente violenta e sobre a sobrevivência a um longo período de tempo. Sobre o primeiro problema observam que a arca tinha uma capacidade de carga de quase meio milhão de metros, que o conceito de ‘espécies’ da Ciência Moderna não é o mesmo do de ‘tipos’ da Bíblia. Noé poderia ainda ter levado variedades menores ou filhotes  de alguns animais.
       Os que defendem a Teoria do Dilúvio Universal observam ainda que a madeira de gofer é um material forte e flexível e que a carga pesada dava estabilidade à arca. Pontuam ainda que muitos animais poderiam ter entrado na arca em estado de hibernação e que Noé tinha espaço para armazenar alimento, bem como a água da chuva.
      Um dos fatores que corroboram para a historicidade do Dilúvio são os mitos diluvianos encontrados em diversas culturas. Os mitos diluvianos aparentam ser desenvolvimentos místicos a partir da história original do Dilúvio.

·         Historicidade da Torre de Babel

       Achados arqueológicos na Suméria narram a história de Ur-Nammu (c. 2044 a.C. – 2007 a.C.), rei de Ur que recebeu ordens para construir a Grande Torre de Zigurate em homenagem ao deus-lua Nannat. Segundo o relato, a construção ofendeu aos deuses que lançaram a obra abaixo, espalhando os homens por outras nações e confundindo suas línguas. Isso fornece apoio ao relato bíblico.

·         Historicidade dos Patriarcas

       Códigos legais do mundo antigo revelam que Abraão teria expulsado Agar com receio pois estava legalmente comprometido a cuidar dela. As Cartas de Mari revelam que nomes como Abraão, Jacó e benjamitas eram comuns na época e confirmam a guerra descrita em Gênesis 14.

·         Historicidade de Sodoma e Gomorra

       Há evidências de um grande incêndio ocorrido a muito tempo na região do cume de Jebel Usdum (Monte Sodoma), quando possivelmente um campo de petróleo entrou em erupção abaixo do mar morto.

·         Historicidade do Período Mosaico

O livro de Deuteronômio, embora datado pelos críticos no século VII a.C., segue o típico de tratado de suserania dos hititas no segundo milênio a.C. Há também achados arqueológicos de possíveis ruínas da cidade de Jericó.

·         Historicidade da Monarquia de Israel

      A fortaleza de Saul em Gibeá foi encontrada e escavada. Uma inscrição do século IX a.C. feita por inimigos de Israel comprova a existência de Davi. Ainda, 26.000 tabuletas encontradas no palácio de Asurbanipal confirmam a crueldade dos assírios. Uma pintura no palácio de Sargão mostrava a batalha mencionada em Isaías 20. O Obelisco Negro de Salmanaser apresenta Jeú (ou seu emissário) se curvando perante o rei da Assíria. Recentemente foi encontrado o relato do cerco a Jerusalém feito por Senaqueribe. Registros encontrados nos jardins suspensos da Babilônia mostram que Joaquim recebia mensalmente uma ração e um local para viver (2 Reis 25.27-30) e um cilindro confirmou o édito de Ciro registrado por Esdras.

·         Historicidade do Período Pós-cativeiro

Papiros Elefantinos mencionam Joanão, o sumo-sacerdote e Sambalate, o governador da Suméria. O palácio de Susã foi descoberto em escavações (Ester 1.1-2).

       Desvalorizar o Antigo testamento é uma característica muito comum hoje. Alguns, seguindo os passos do Marcionismo, acham que o mesmo foi abolido, que agora vivem o tempo do “Novo Testamento” e que o Antigo serve apenas como um documento histórico. Adotando um pensamento maniqueísta, há os que imaginam Jeová dos Exércitos como um Deus irado incompatível com o Amoroso Jesus do Novo testamento. Outros acreditam que a moral veterotestamentária foi completamente abolida.
       A Teologia Liberal levantou também sérias críticas contra o Antigo Testamento. C. S. Lewis possuia uma visão não muito ortodoxa do mesmo, Richard Simom negou a autoria mosaica do Pentateuco, a Escola de Welhausen difundiu a famosa Teoria JEPD e Baruch Spinoza falou do Velho Testamento como se fosse um escrito produzido por Esdras por volta do ano 400 a.C. Diante desses terríveis ataques precisamos manter firmes nossa fé na historicidade do Antigo Testamento.


Fonte: Geisler, N. (2015). Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

CATEGORIAS (ARISTÓTELES)


       Chamamos de homônimas as coisas com mesmo nome, mas com definições diferentes; de sinônimas as coisas com mesmo nome e mesma definição e parônimas as palavras derivadas. Quanto às coisas ditas com significado no emprego de palavras sem combinar, há aquelas que podem ser afirmadas e encontradas, as que não podem ser afirmadas, mas podem ser encontradas, as que podem ser afirmadas, mas não podem ser encontradas e as que não podem, nem ser encontradas em um sujeito, nem afirmadas sobre ele.
       Toda asserção afirmativa ou negativa tem de ser verdadeira ou falsa. Os predicados do predicado também se aplicarão ao sujeito. Chamamos de gêneros não-subordinados (heterogêneos) aqueles que apresentam diferenças em espécie e subordinados os que possuem as mesmas diferenças.
       Sobre as categorias das coisas podemos citar a substância (o que?), a quantidade (quanto?), a qualidade (que tipo?), a relação (com o que?), o lugar (onde?), o tempo (quando?),a posição (que postura?), o estado (que circunstância?), a ação (quão ativo?) e a paixão (quão passivo?).

SUBSTÂNCIA

      Podemos definir substância como aquilo que não é dito nem de um sujeito, nem em um sujeito. As substâncias primárias formam a base de todas as outras coisas. Nenhuma substância primária é mais substância do que outra.  
        As substâncias secundárias dizem respeito a espécie (aquilo dentro do qual estão incluídas as substâncias primárias) e ao gênero (aquele dentro das quais estão incluídas as próprias espécies). A espécie está mais próxima da substância primária. Predicamos o gênero da espécie, mas nunca podemos predicar a espécie do gênero.

       
       Quanto às proposições que tenham uma substância por predicado, podemos apresentar o seguinte argumento:
1.      A definição de cada diferença e substância aplica-se tanto a indivíduos quanto a espécies.
2.      Coisas que possuem nome idêntico e são definidas identicamente são sinônimas.
3.      Logo, em todas as proposições que tenham por predicado uma substância ou uma diferença, o predicado é sinônimo.

                As substâncias, assim como quantidades definidas, jamais têm contrários. Aparentemente, também, nenhuma substância apresenta graus em si mesmas. No entanto, é realmente característico à substância admitir qualidades contrárias através de uma mudança em si mesma, sendo a substância receptáculo que admite contrários em si mesma.

QUANTIDADE

       A quantidade pode ser discreta, quando as partes permanecem sempre distintas ou contínua, quando existe um limite comum onde as partes se unem. Sobre o espaço poder ser considerado uma quantidade contínua, podemos apresentar o seguinte argumento:
1.      As partes mesma do sólido ocupam um certo espaço e estas partes possuem um limite em comum (quantidade contínua).
2.      Assim, as partes do espaço, que aquelas próprias partes ocupam possuem exatamente o mesmo limite ou tempo comum das partes do sólido.
3.      Logo, o espaço é também deste mesmo tipo de quantidade (contínua).

      Quantidades nunca possuem contrários. (Segundo a lei da não-contradição, nada pode ser contrário a si mesmo). As quantidades são comparadas em termos de igualdade. Desse modo, classificarmos alguma coisa como igual/desigual é a característica principal da quantidade.

RELAÇÃO

      Chamamos de relativo aquilo que é o que é  por dependência de alguma outra coisa ou por estar relacionada a alguma coisa de alguma outra forma. Os relativos, às vezes, têm contrários, mas isso não se aplica a todos os relativos. Em alguns casos, os relativos também podem admitir graduação.
       Todos os relativos têm seus correlativos. Um relativo é sempre relativo de alguma coisa. Correlativos parecem apresentar simultaneidade natural e a anulação de um significa a anulação do outro. Mas isso não é verdadeiro em todos os casos, porque o objeto do conhecimento é anterior ao conhecimento (realismo). Se um relativo é conhecido definitivamente, seu correlativo também o será.
       A opinião de que nenhuma substância é relativa aparentemente está aberta a questionamento. Dever-se-ia, talvez, excetuar disto algumas substâncias secundárias. Não há dúvidas de que nenhuma substância primária é relativa e também é verdade que a substância dificilmente pode ser relativa. Não obstante, há divergências quando se trata das substâncias secundárias. No entanto, o fato de uma categoria ser explicada mediante uma referência a alguma coisa que lhe é exterior, não é o mesmo que dizer que ela é necessariamente relativa. Nesse sentido, nenhuma substância é relativa, mas há controvérsias.

QUALIDADE

       Pode-se definir qualidade como aquilo em virtude do que são as coisas classificadas. A palavra qualidade tem muitas acepções. Um tipo é aquele que é constituído pelos estados (mais estáveis) e disposições (menos duradouros). Outro tipo de qualidade denota qualquer capacidade natural.
       O terceiro tipo encerra qualidades passivas e afeições. Entretanto, condições originárias logo tornadas inoperativas, caso não sejam totalmente eliminadas, podem ser considerados estados passivos, e não qualidades. O quarto tipo de qualidade é constituído pelas formas e figuras das coisas.
       As qualidades admitem contrários, mas não em todos os casos. Se um de dois contrários é uma qualidade, o outro também é uma qualidade. As qualidades admitem também graus, mas não todas.
       Embora o conhecimento seja sempre conhecimento de alguma coisa, os ramos específicos do conhecimento, não devem ser classificados entre os relativos. No entanto, se alguma coisa é tanto relação quanto qualidade, não há problema em classifica-la em ambas as categorias.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ação e a paixão apresentam contrários, bem como graus. A postura ou posição obtêm seus nomes das posturas que a elas correspondem. Quanto as demais categorias (tempo, espaço e lugar) são tão claras que não é preciso discursar sobre elas.


Condessado de: Aristóteles (384-322 a.C.). Categorias in Órganon. Edipro, 2º ed. 2010.   

domingo, 3 de julho de 2016

RAÍZES FILOSÓFICAS DA CRÍTICA DESTRUTIVA DA BÍBLIA

       
            A crítica bíblica não deixa de ser importante. Ela pode ser subdividida em dois tipos. O primeiro é chamado de baixa crítica e se refere ao texto bíblico, objetivando, através dos manuscritos disponíveis, a reconstrução o texto original. O segundo tipo de crítica pode ser chamado de alta crítica e diz respeito à fonte do texto original, buscando descobrir a origem real do texto, como por exemplo, seu autor. Ela pode ser positiva ou construtiva ou pode ser destrutiva ou negativa. A crítica negativa destrutiva da Bíblia conduz a uma rejeição da posição histórica e ortodoxa que enxerga as Escrituras como sobrenaturalmente inspiradas e inerrantes. Serão apresentados a seguir correntes filosóficas que lançaram as raízes para o surgimento de uma abordagem crítica destrutiva da Bíblia:

·         INDUTIVISMO: O filósofo Francis Bacon (1561-1627) alegava que toda verdade poderia ser descoberta através do método indutivo e que ela poderia ser conhecida por meio da experimentação. Ele também separou completamente o campo da razão e da ciência do campo da fé e da religião.

·         MATERIALISMO: De acordo com o filósofo Thomas Hobbes (1588 – 1679) não existiria a ideia de algo que poderia ser por nós, chamado de infinito. Para ele o Universo era corpóreo, sendo tudo o que existe dessa forma aquilo que não faz parte dele seria nada. Hobbes engajou-se em um processo de dessobrenaturalização do Evangelho. Ele dizia ainda, que no campo da religião podemos viver pela vontade de obedecer à religião imposta pelo Estado. Hobbes ainda fazia uma separação entre verdade espiritual (revelação divina) e verdade cognitiva (razão humana).


·         ANTI-SOBRENATURALISMO: Baruch Spinoza acreditava que o Antigo Testamento era uma obra de Esdras datada do ano 400 a.C. Ele rejeitou a historicidade da Ressurreição de Cristo, negou a possibilidade de milagres e rejeitou a ideia de que os escritores bíblicos receberam uma revelação sobrenatural. De acordo com Spinoza, a Bíblia apenas contém a Palavra de Deus.

·         CETICISMO: O filósofo David Hume (1711-1776) rejeitou a ideia da Escritura como um livro divinamente inspirado, ele negou a doutrina da deidade de Cristo e ainda rejeitou a crença em milagres.

·         AGNOSTICISMO FILOSÓFICO: De acordo com o filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) conhecemos somente aquilo que aparece (phenomenal), pois as coisas em si, aquilo que realmente existe é incognoscível (noumenal).  Kant fez uma dicotomia entre fato e valor, objetivo e subjetivo e entre razão pura e razão prática, desse modo seria possível pensar que Deus existe, mas viver como se ele não existisse. Kant também negou a existência de milagres.


·         ROMANTISMO: Representado por filósofos como Jean Jacques Rosseau (1712-1778), Gotthold Lessing (1729-1781), Johan Wolfgang Von Goethe (1749-1832), Johan Cristoph Friedrich Von Schiller (1759 – 1805) e Johann Christian Friedrich Holderlin (1770-1843), o Romantismo surgiu como uma reação ao racionalismo, sendo responsável por reavivar a ênfase nos sentimentos, em celebridades e em movimentos heróicos do passado como mais importantes do que ideias ou instituições.

·         DEÍSMO: O deísmo, representado por filósofos como Herbet de Cherbury (1583-1649), John Toland (1670-1722), Antony Collins (1676 -1729), Thomas Woolston (1670-1733), Matthew Tindal (1655-1733), Benjamim Franklin (1706 -1790), Thomas Jefferson (1743 – 1826), Stephen Hopkins (1707-1785) e Thomas Paine (1737-1809), negava a existência de milagres sobrenaturais por rejeitar a interação de Deus para com o mundo criado, afirmando, portanto, ser impossível um livro que fosse uma revelação sobrenatural de Deus.


·         TRANSCENDENTALISMO: O famoso filósofo Georg Wihelm Friedrich Hegel (1770 – 1831) falava da História como um desdobramento do Espírito absoluto no mundo temporal. A História seria, portanto, um devir, uma apropriação progressiva do mundo por parte do Espírito absoluto. Ele falou de três estágios progressivos da presença do Espírito absoluto que tendiam cada vez ao mais abstrato, sendo eles na ordem: a Religião, a Arte e por último a Filosofia. Ele comparava a materialização do Espírito no devir histórico com a encarnação do Logos divino em um corpo concreto. Para ele, enquanto na religião Deus se torna homem, na Filosofia o homem se torna Deus.

·         POSITIVISMO: O Cientificismo de Augusto Comte (1798 – 1857) falava do desenvolvimento humano em três estágios. O primeiro seria o teológico, a infância da humanidade marcada pelo mito, o segundo seria o estágio metafísico, a juventude humana em que tem lugar o Logos, por fim, o último estágio seria o Positivismo, em que a humanidade adulta desenvolve o conhecimento científico.


·         EVOLUCIONISMO: Charles Darwin (1809 – 1882) abandonou gradualmente sua fé no Cristianismo, tornando-se provavelmente um agnóstico. Sua visão acabou por substituir Deus pela Seleção Natural.

       As raízes filosóficas acima apresentadas permitiram o surgimento de manifestações teológicas da crítica bíblica destrutiva, como o Liberalismo e a Neo-ortodoxia. Alguns teólogos passaram a negar a autoria mosaica do Pentateuco, a literalidade do relato da Criação de Gênesis e a adotar a visão dos milagres da Bíblia como meras mitologias. Tais concepções são contrárias aos ensinamentos da própria Bíblia sobre si mesma (2 Timóteo 3.16, 2 Samuel 23.2; Mateus 4.4; 2 Coríntios 2.11-13; Jeremias 26.2; João 10.34-35), bem como à visão histórica da Igreja sobre a Bíblia. Neste caso ficamos com o artigo XII da Declaração de Chicago Sobre a Inerrância da Bíblia (1978):

Afirmamos que, em sua totalidade, as Escrituras são inerrantes, estando isentas de toda falsidade, fraude ou engano. Negamos que a infalibilidade e a inerrância da Bíblia estejam limitadas a assuntos espirituais, religiosos ou redentores, não alcançando informações de natureza histórica e científica. Negamos ainda mais que hipóteses científicas acerca da história da terra possam ser corretamente empregadas para desmentir o ensino das Escrituras a respeito da criação e do dilúvio.

FONTES:

Geisler, N. (2015). Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus.