quinta-feira, 14 de julho de 2016

CATEGORIAS (ARISTÓTELES)


       Chamamos de homônimas as coisas com mesmo nome, mas com definições diferentes; de sinônimas as coisas com mesmo nome e mesma definição e parônimas as palavras derivadas. Quanto às coisas ditas com significado no emprego de palavras sem combinar, há aquelas que podem ser afirmadas e encontradas, as que não podem ser afirmadas, mas podem ser encontradas, as que podem ser afirmadas, mas não podem ser encontradas e as que não podem, nem ser encontradas em um sujeito, nem afirmadas sobre ele.
       Toda asserção afirmativa ou negativa tem de ser verdadeira ou falsa. Os predicados do predicado também se aplicarão ao sujeito. Chamamos de gêneros não-subordinados (heterogêneos) aqueles que apresentam diferenças em espécie e subordinados os que possuem as mesmas diferenças.
       Sobre as categorias das coisas podemos citar a substância (o que?), a quantidade (quanto?), a qualidade (que tipo?), a relação (com o que?), o lugar (onde?), o tempo (quando?),a posição (que postura?), o estado (que circunstância?), a ação (quão ativo?) e a paixão (quão passivo?).

SUBSTÂNCIA

      Podemos definir substância como aquilo que não é dito nem de um sujeito, nem em um sujeito. As substâncias primárias formam a base de todas as outras coisas. Nenhuma substância primária é mais substância do que outra.  
        As substâncias secundárias dizem respeito a espécie (aquilo dentro do qual estão incluídas as substâncias primárias) e ao gênero (aquele dentro das quais estão incluídas as próprias espécies). A espécie está mais próxima da substância primária. Predicamos o gênero da espécie, mas nunca podemos predicar a espécie do gênero.

       
       Quanto às proposições que tenham uma substância por predicado, podemos apresentar o seguinte argumento:
1.      A definição de cada diferença e substância aplica-se tanto a indivíduos quanto a espécies.
2.      Coisas que possuem nome idêntico e são definidas identicamente são sinônimas.
3.      Logo, em todas as proposições que tenham por predicado uma substância ou uma diferença, o predicado é sinônimo.

                As substâncias, assim como quantidades definidas, jamais têm contrários. Aparentemente, também, nenhuma substância apresenta graus em si mesmas. No entanto, é realmente característico à substância admitir qualidades contrárias através de uma mudança em si mesma, sendo a substância receptáculo que admite contrários em si mesma.

QUANTIDADE

       A quantidade pode ser discreta, quando as partes permanecem sempre distintas ou contínua, quando existe um limite comum onde as partes se unem. Sobre o espaço poder ser considerado uma quantidade contínua, podemos apresentar o seguinte argumento:
1.      As partes mesma do sólido ocupam um certo espaço e estas partes possuem um limite em comum (quantidade contínua).
2.      Assim, as partes do espaço, que aquelas próprias partes ocupam possuem exatamente o mesmo limite ou tempo comum das partes do sólido.
3.      Logo, o espaço é também deste mesmo tipo de quantidade (contínua).

      Quantidades nunca possuem contrários. (Segundo a lei da não-contradição, nada pode ser contrário a si mesmo). As quantidades são comparadas em termos de igualdade. Desse modo, classificarmos alguma coisa como igual/desigual é a característica principal da quantidade.

RELAÇÃO

      Chamamos de relativo aquilo que é o que é  por dependência de alguma outra coisa ou por estar relacionada a alguma coisa de alguma outra forma. Os relativos, às vezes, têm contrários, mas isso não se aplica a todos os relativos. Em alguns casos, os relativos também podem admitir graduação.
       Todos os relativos têm seus correlativos. Um relativo é sempre relativo de alguma coisa. Correlativos parecem apresentar simultaneidade natural e a anulação de um significa a anulação do outro. Mas isso não é verdadeiro em todos os casos, porque o objeto do conhecimento é anterior ao conhecimento (realismo). Se um relativo é conhecido definitivamente, seu correlativo também o será.
       A opinião de que nenhuma substância é relativa aparentemente está aberta a questionamento. Dever-se-ia, talvez, excetuar disto algumas substâncias secundárias. Não há dúvidas de que nenhuma substância primária é relativa e também é verdade que a substância dificilmente pode ser relativa. Não obstante, há divergências quando se trata das substâncias secundárias. No entanto, o fato de uma categoria ser explicada mediante uma referência a alguma coisa que lhe é exterior, não é o mesmo que dizer que ela é necessariamente relativa. Nesse sentido, nenhuma substância é relativa, mas há controvérsias.

QUALIDADE

       Pode-se definir qualidade como aquilo em virtude do que são as coisas classificadas. A palavra qualidade tem muitas acepções. Um tipo é aquele que é constituído pelos estados (mais estáveis) e disposições (menos duradouros). Outro tipo de qualidade denota qualquer capacidade natural.
       O terceiro tipo encerra qualidades passivas e afeições. Entretanto, condições originárias logo tornadas inoperativas, caso não sejam totalmente eliminadas, podem ser considerados estados passivos, e não qualidades. O quarto tipo de qualidade é constituído pelas formas e figuras das coisas.
       As qualidades admitem contrários, mas não em todos os casos. Se um de dois contrários é uma qualidade, o outro também é uma qualidade. As qualidades admitem também graus, mas não todas.
       Embora o conhecimento seja sempre conhecimento de alguma coisa, os ramos específicos do conhecimento, não devem ser classificados entre os relativos. No entanto, se alguma coisa é tanto relação quanto qualidade, não há problema em classifica-la em ambas as categorias.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ação e a paixão apresentam contrários, bem como graus. A postura ou posição obtêm seus nomes das posturas que a elas correspondem. Quanto as demais categorias (tempo, espaço e lugar) são tão claras que não é preciso discursar sobre elas.


Condessado de: Aristóteles (384-322 a.C.). Categorias in Órganon. Edipro, 2º ed. 2010.   

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