sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A PROCESSÃO ETERNA DO ESPÍRITO SANTO

       As Escrituras ensinam que o Filho é gerado eternamente do Pai e recebe dele, por comunicação, a essência divina autoexistente no próprio ato da geração (Provérbios 8.22-26; Miquéias 5.2; João 5.26; Colossenses 1.19). Se a base para uma segunda Pessoa na Divindade é a geração do Filho pelo Pai, o princípio de um terceiro modo de subsistência em Deus se dá na processão eterna do Espírito do Pai e do Filho.



BASE BÍBLICA[1]

       O Filho disse a respeito do Espírito: “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.” (João 15.26). É importante notar que diferente dos verbos no futuro usados para falar do envio do Espírito (João 14.26), o verbo “procede” (grego: “ekporeuetai”[2]) está no presente, isto é, a emanação do Espírito do Pai é contínua e estava acontecendo no momento em que Jesus estava falando. A ideia é que Jesus enviará o Espírito da parte do Pai no tempo (economia) porque na eternidade (imanência) o Espírito procede do Pai. O Filho diz que ele é quem enviará o Espírito, de modo que o Espírito também deve proceder do Filho[3]. Levando em conta a primeira parte da Regra de Rahner (“A Trindade Econômica é a Trindade Imanente”) que diz que a revelação da Trindade no tempo reflete aquilo que Deus é na eternidade, o envio do Espírito da parte do Pai pelo Filho corresponde a uma relação de emanação do Espírito do Pai e do Filho na eternidade.
       Paulo escreveu: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” (Romanos 8.9). Aqui, o Espírito é relacionado tanto a Deus Pai (grego: “Pneuma Theou”), quanto a Cristo, o Filho (grego: “Pneuma Christou”)[4], de modo que se pode dizer corretamente que o Espírito Santo procede de ambos.
       A filioque (procedência do Espírito “do Filho”) também é confirmada [5] em Gálatas 4.6: “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.” O texto diz que Deus Pai “envia” (grego: “exapesteilen” – “enviado para e a partir de” [6]) o Espírito. Como já dito, essa manifestação econômica é um reflexo da processão eterna do Espírito a partir do Pai. Mas o Espírito procedente do Pai também é chamado “Espírito de Seu Filho” (grego: “Pneuma tou Huiou” [7]), de modo a proceder dele também. Esse texto faz parte dos 50 padrões trinitárias do Novo Testamento, e, portanto revela a relação das três Pessoas da Trindade [8].
       Em linguagem simbólica lemos no Livro de Revelação: “E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.” (Apocalipse 22.1). Se a “água da vida” nesta passagem é um símbolo do Espírito Santo (confira: João 7.39), então o texto apresenta o Espírito como procedendo (grego: ekporeuomenon) do (grego: “ek”) [9] Pai e do Filho. A expressão “do” (“ek”) tem o sentido de algo que “sai das profundezas da fonte e estendendo seu impacto sobre o objeto” [10]. Aqui, o Pai e o Filho são apresentados em um único trono, de modo que não há duas procedências e dois princípios, uma a partir do Pai e outra a partir do Filho, mas uma mesma procedência do Pai e do Filho.

BASE HISTÓRICA [11]

      O desenvolvimento histórico da doutrina da processão eterna do Espírito pode ser visualizado neste pequeno esboço:

Irineu de Lyon (130 – 202): O Filho e o Espírito Santo são as “mãos” de Deus.
Atenágoras de Atenas (133 – 190): O Espírito é a emanação do Pai.
Tertuliano (160 – 220): O Filho e o Espírito são porções procedentes da substância total do Pai.
Gregório de Nazianzo (329 – 390): O Espírito Santo é consubstancial com o Pai e com o Filho.
João de Damasco (676 – 749): O Espírito Santo procede somente do Pai e repousa no Filho.
Anselmo de Cantuária (1033 – 1109): O Espírito Santo procede do Pai e do Filho por uma espiração única.
Gregório de Palamas (1296 – 1357): O Espírito procede somente do Pai no nível da essência, mas procede do Pai e do Filho no nível da energia.
Thomas Torrance (1913 – 2007): O Espírito Santo procede da substância da Trindade, de modo que é correto dizer tanto que o Espírito procede do Pai e do Filho, quanto que Ele  procede do Pai através do Filho.

QUESTÕES CONFESSIONAIS

      De acordo com o Credo niceno-constantinopolitano, devemos confessar "O Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho”. [12] O Credo Atanasiano ordena a todos os que quiserem ser salvos que confessem: “O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente.”[13]
     De acordo com a Confissão de Fé de Westminster: “o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho.” [14] O Catecismo Maior de Westminster diz que: “o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, desde toda à eternidade.” [15] Creio que esses símbolos de fé apresentam de maneira exata e bíblica a relação do Espírito com o Pai e o Filho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

         De acordo com as Escrituras, o Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, tem sua Origem na eternidade, emanando do Pai e do Filho. De acordo com Agostinho:

“Com respeito às relações mútuas na Trindade, se aquele que gerou é o princípio do gerado, o Pai é o princípio em referência ao Filho, porque o gerou. Entretanto, não é uma investigação de pouca importância inquirir que se o Pai é também princípio em relação ao Espírito Santo, pois está escrito: procede do Pai. Se assim for, é princípio não somente do que gera ou faz (o Filho), mas também da Pessoa que ele dá (o Espírito). [...] [O Espírito Santo] Saiu do Pai, sim, mas não como nascido, mas como Dom, e por isso, não se pode dizer filho, já que nasceu como o Unigênito e nem foi criado como nós, que nascemos para a adoção filial da graça de Deus” [16]

      A doutrina da processão eterna do Espírito deve nos mover em gratidão ao fato de Deus ter enviado a nós o Espírito de Seu Filho, o qual aplica nos eleitos os benefícios da redenção. Louvamos a Deus pelo maravilhoso Dom do Espírito.
      
FONTES:

[1] SILVA, A. A. o. (2014). A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, pp. 118, 120, 143.
[3] GEISLER, N. (2015). Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, p. 1142.
[5] BERKHOF, L. (2012). Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, p. 64.
[16]  A Trindade, 5.15; 5.6; 5.8; 5.15 citado por: FERREIRA, F. & MYATT (2007). Teologia Sistemática - VIDA NOVA, pp. 181 – 182.





quinta-feira, 17 de novembro de 2016

SEITA: ADVENTISMO DO SÉTIMO DIA


Bruno dos Santos Queiroz

       Embora alguns apologistas, tais como Walter Martin e Fernando Galli, considerem a Igreja Adventista do Sétimo Dia como parte do Cristianismo[1], na medida em que o Adventismo nega a doutrina clássica da Trindade, a inerrância e a inspiração exclusiva das Escrituras, torna o sábado um mandamento com significado soteriológico - escatológico central, além de possuir uma estranha doutrina da expiação, o movimento adventista deve ser classificado como uma seita herética, juntamente com os mórmons e Testemunhas de Jeová. Vejamos algumas das heresias da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as quais deixarão claro, não só os erros doutrinários do movimento, mas também que o Adventismo é uma seita perniciosa.



NEOTRINITARIANISMO ADVENTISTA

       Assim como os mórmons, os adventistas afirmam crer numa forma diferente de Trindade. O neotrinitarianismo adventista guarda interessantes semelhanças com a “trindade mórmon”, se afastando do dogma trinitário tradicional. Primeiramente vejamos uma definição ortodoxa da doutrina da Trindade:

Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível [...]

Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo, O Pai não é de ninguém - não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho. (CFW I.I,III)[2]

       A crença adventista é contrária a essa visão ortodoxa sobre Deus e a Trindade em, pelo menos, quatro pontos. Os adventistas creem que:

1.       Deus tem corpo, forma e partes:

 “Os pioneiros argumentavam que esse conceito contradiz a Bíblia, pois ela apresenta Deus como um ser pessoal ‘tangível’, que ‘possui corpo e partes’[...] Os primeiros adventistas rejeitavam corretamente a Trindade dos credos, que apresenta um Deus ‘sem corpo ou partes’ e não distingue claramente as pessoas da Divindade.”[3]

“Não pude contemplar a pessoa do Pai, pois uma nuvem de gloriosa luz O cobria. Perguntei a Jesus se Seu Pai tinha forma dEle, Jesus disse que sim” “Tenho visto muitas vezes o amorável Jesus, que é uma pessoa. Perguntei-Lhe se Seu Pai era uma pessoa e tinha a mesma forma que Ele. Disse Jesus: ‘Eu sou a expressa imagem da pessoa de Meu Pai.’” [4]

2.       Cada pessoa da Trindade é um ser individual tangível:

“[...] os três membros da Divindade como indivíduos tangíveis e pessoais, vivendo desde a eternidade em união de natureza, caráter, propósito e amor, mas ainda assim tendo cada uma Sua identidade pessoal. Este é um ponto de vista simples e bíblico da Trindade, em contraste com os pontos de vista tradicionais, baseado na pressuposição filosófica grega.”[5]

“White rejeita claramente a opinião da Trindade que faz Deus parecer distante, intocável, impessoal; e aceita um ponto de vista literal, bíblico da Trindade, uma opinião que mostra a Deus como incluindo três personalidades divinas individuais, que são um em natureza, caráter, propósito e amor.”[6]

3.      Jesus não foi gerado eternamente pelo Pai:

“Ele era Filho de Deus ‘constituído’ por decreto divino (Sal. 2:6‑7). Depois da Encarnação, Ele era Filho de Deus ‘de fato’ (João 1:34). [...] Ser Cristo Filho de Deus não significa que Ele foi originado e nascido do Pai; significa que Ele tem a mesma natureza do Pai, e é igual a Ele.” “Portanto, ser Cristo chamado de ‘Unigênito’ também não significa que Ele foi gerado naquele tempo, antes da Encarnação!” “Se é verdade que o ‘Filho unigênito’ (João 3:16) foi gerado literalmente pelo Pai na eternidade, então Cristo morreu como Cordeiro literalmente desde a fundação do mundo (Apo. 13:8); mas seria outro absurdo.”[7]

4.      O Espírito Santo não procede eternamente do Pai e do Filho:


“Tudo por conta de apenas um só texto (João 15:26) que não ensina isso [a processão do Espírito]. E apesar de nos mandar a exegese que não criássemos doutrina alguma baseada num só texto da Bíblia.”[8]


       Portanto, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, contrariando o trinitarianismo bíblico, ensina que a Trindade é uma unidade composta[9] formada por três seres individuais tangíveis e corpóreos, além de negar a visão clássica de que Jesus sempre foi literalmente Filho de Deus e a doutrina da processão eterna do Espírito. Ao fazer isso, os adventistas se afastam da Trindade Cristã e se aproximam do trinitarianismo herético dos mórmons. Observe as semelhanças com o neotrinitarianismo mórmon:

“A crença Mórmon é que eles são três seres separados e com papéis distintos, mas que são um em propósito e doutrina.”[10]

“Não podemos crer, por um momento sequer, que Deus não possua um corpo, partes, paixões ou atributos.” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, p.29). [11]



CRENÇAS ADVENTISTAS SOBRE A BÍBLIA



       A Igreja Adventista do Sétimo Dia ensina que a Bíblia contém erros reais, além de afirmar que os escritos da profetisa Ellen White são tão inspirados quanto as Escrituras:


“Nós cremos que Ellen White foi inspirada pelo Espírito Santo e que seus escritos, um produto dessa inspiração, são aplicáveis e autoritativos, especialmente aos Adventistas do Sétimo Dia.” “Nós não cremos que a qualidade ou nível de inspiração nos escritos de Ellen White são diferentes daqueles encontrados nas Escrituras.”[12]

“A inspiração divina não impediu que os autores bíblicos cometessem ‘erros’ de natureza histórica ou científica, uma vez que estes não afetam nossa salvação. A Bíblia não é inerrante em tudo quanto diz, mas é infalível em tudo quanto ensina com respeito a fé e a prática.” “[...] a doutrina da inerrância bíblica é carente de apoio bíblico. Em parte alguma os autores bíblicos reivindicam que suas declarações sejam inerrantes. Tal conceito tem sido deduzido a partir da idéia da inspiração divina. Presume-se que, sendo a Bíblia divinamente inspirada, deve também ser inerrante. Todavia, a Bíblia nunca faz a equivalência de inspiração com inerrância.” “Uma razão final para a rejeição da inerrância absoluta, no caso dos adventistas, são os ensinos de Ellen White, e o exemplo da produção de seus escritos”[13]



DOUTRINAS SOTERIOLÓGICAS-ESCATOLÓGICAS ESTRANHAS

      

       As visões soteriológicas-escatológicas da Igreja Adventista do Sétimo Dia são inconsistentes com sua afirmação de que o movimento crê na doutrina da salvação pela graça somente. De acordo com a seita, no ano de 1844, Jesus teria mudado de lugar no Céu, saindo do “santo” e indo para o “santíssimo”. Tal ensino, a principal doutrina do movimento, foi baseado em uma falsa profecia propagada por Guilherme Miller:

“Ou seja, para Miller, O MUNDO ACABARIA em 25 anos [...] A notícia de que Jesus voltaria em 1844 foi divulgada para muitas pessoas. [...] Na realidade, a profecia de Daniel 8.14 indicava que em 1844, Jesus passaria do LUGAR SANTO no santuário celeste para o LUGAR SANTÍSSIMO; assim como fazia o sumo sacerdote no dia da purificação do santuário terrestre. Em 22 de outubro de 1844 começou o grande DIA DO JULGAMENTO NO CÉU, o qual vivemos até hoje.”[14]



       Os adventistas ensinam que no futuro haverá um decreto dominical, e aqueles que optarem por guardar o Domingo, serão selados com a marca da Besta, sendo, o selo de Deus, o sábado. Afirmam estranhamente que os adventistas da última geração viverão sem pecar e afirmam também que Satanás levará sobre si os nossos pecados:

“Aproxima-se o dia em que todos os seres humanos estarão divididos em apenas dois grupos. Cada um deles terá um sinal identificador – selo de Deus ou selo da besta. Escolher a qual deste grupo vamos pertencer é um assunto de vida ou morte, que devemos resolver aqui e agora.”[15]

“Última geração de salvos será composta por servos de Deus totalmente libertados da escravidão do pecado. Antes que seja fechada a porta da graça esses servos de Deus selados e na plenitude do Espírito, pela graça de Deus estarão vivendo sem pecar. Mesmo estando vivendo no tempo de angústia enfrentando grandes provações essa última geração de salvos provará ser possível sim, fortalecido pela graça de Deus, viver sem pecar, fortalecidos pelo Senhor Espírito Santo estarão prestando plena obediência a lei de Deus.” [16]

“Ocorre agora o acontecimento prefigurado na última cerimônia do Dia da Expiação. [...] ao contemplar-se a obra da expiação no santuário celestial, na presença de Deus e dos anjos celestiais e da multidão de remidos, então os pecados do povo de Deus serão postos sobre Satanás, declarar-se-á ser ele culpado de todo o mal que os fez cometer.”[17]

        A Igreja Adventista é semi-pelagiana, no adventismo a salvação se dá "Mediante a graça de Deus e seu [ dos salvos da última geração] próprio diligente esforço..." (Grande Conflito - Ed. Condensada, p.242). O salvo precisa "...cumprir as condições para que a graça seja concedida" (Grande Conflito - Ed. Condensada, p.269). Ainda, o Adventismo tem uma doutrina de expiação própria. Os pecados das pessoas não são apagados simplesmente com o sacrifício de Cristo: "O sangue de Cristo assegurou perdão e aceitação diante do Pai, em favor dos crentes arrependidos, embora seus pecados ainda permanecessem nos livros de registro" (Grande Conflito - Ed. Condensada, p.239). Cristo ainda precisa efetuar uma expiação no Céu que começou em 1844: "O julgamento que iniciou em 1844 deve prosseguir até que sejam decididos todos os casos, tanto dos vivos quanto dos mortos" "A fim de preparar-se para o juízo os homens devem observar a lei de Deus, que será a norma de caráter no juízo." (Ibidem, p.249).
       A forma como se dá o Juízo investigativo deixa claro que a doutrina é inconsistente com a crença na salvação pela graça. De acordo com Ellen White: "Os livros de registro no Céu devem determinar a decisão do juízo... No livro de memórias estão registradas as boas ações..." (Ibidem, p.273). "Há também um relatório dos pecados dos homens... A lei de Deus é a norma pela qual se efetua o julgamento... Os justos não ressuscitarão senão depois do juízo, no qual são havidos por dignos da 'ressurreição da vida'"(Ibidem, p.274)."Ao abrirem-se os livros de registro no juízo, é passada em revista perante Deus a vida de todos os que creem em Jesus... Quando alguém tiver pecados que permanecem nos livros de registro, para os quais não houve arrependimento nem perdão, seu nome será omitido do livro da vida... Jesus não lhes justifica os pecados, mas apresenta o seu arrependimento e fé." (Ibidem, p.275). "Cristo colocará todos esses pecados sobre Satanás... Satanás levando a culpa de todos os pecados que levou o povo de Deus a cometer, estará durante mil anos circunscrito à terra desolada, e por fim sofrerá a pena de fogo que haverá de destruir  a todos os maus. Assim o plano da redenção atingirá seu cumprimento na erradicação final do pecado."  (Ibidem, p.276).


CONSIDERAÇÕES FINAIS



       A Igreja Adventista do Sétimo Dia não é simplesmente uma denominação cristã com alguns erros, mas uma seita herética. Devemos tomar cuidado com o modo sutil pelo qual o movimento adventista vem introduzindo suas heresias na mente de cristãos sinceros. Alertemos nossos irmãos para o fato de que a “Igreja da TV Novo Tempo” nega a doutrina bíblica da Trindade, a inerrância bíblica, além de defender a inspiração de escritos extrabíblicos e ensinar uma doutrina da salvação que pode ser considerada semi-pelagiana:

“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” – Mateus 7.15





Apêndice: É O ADVENTISMO UMA SEITA?

       Desde 1957 quando da publicação do "Questões Sobre Doutrina", o Adventismo vem adotando uma postura proselitista que mascara suas heresias. O Adventismo considera-se a única igreja verdadeira que deve chamar as pessoas a saírem das outras igrejas ("o protestantismo apóstata"). Segundo a crença adventista, embora as igrejas protestantes sejam apóstatas, há salvos nelas que precisam ser chamados a "saírem de Babilônia". Com o objetivo de atrair esses "irmãos" de fora, o adventismo tem maquiado suas crenças adotando uma linguagem que exteriormente é igual a dos protestantes, mas que não tem o mesmo significado. Um exemplo é a Trindade. Quando adventistas dizem crer na Trindade, eles não especificam que eles creem numa trindade diferente da Trindade ortodoxa. Ao fazer isso, muitos eruditos respeitados acabam sendo enganados pela ideia de que o Adventismo tem um corpo doutrinário ortodoxo divergindo apenas em algumas doutrinas distintivas dos demais evangélicos. No entanto, temos pelo menos três motivos para ver o Adventismo como uma seita:
1. Negam a Trindade: Eles negam a Trindade ensinada historicamente pela Igreja (Um só Ser divino Puro Espírito em três pessoas distintas) e adotam uma forma de trindade triteísta (Três seres divinos separados com corpo e partes numa unidade) e herética baseada nos escritos de Ellen White - por isso se um adventista disser "creio na Trindade", lembre-se - Não é a mesma Trindade que a nossa!
2. Negam a Soteriologia Bíblica: Eles ensinam que mesmo após o sacrifício de Cristo os pecados dos salvos continuam "registrados" e por isso Jesus reali
za desde 1844 uma expiação no Céu, um juízo investigativo que avalia obras da Lei e ainda ensinam que Satanás levará sobre si os nossos pecados. Afirmam ainda que só a religião deles é a verdadeira igreja, "a remanescente" e que no futuro guardar o sábado será uma questão decisiva entre quem será salvo ou quem irá se perder (os guardadores do Domingo, "a marca da Besta")
3. Negam a inerrância bíblica e o Sola Scriptura reformado: Ensinam que Ellen White foi tão inspirada quanto os escritores bíblicos e seus ensinos autoritativos para a Igreja e ainda afirmam que a Bíblia tem erros e contradições reais.

FONTES:






[4]Primeiro Escritos – Ellen White, pp.74 e 97. Disponível em: http://centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Primeiros%20Escritos.pdf

[5]A Trindade, p.248 citado por A Conspiração Adventista – Luciano Sena.


[7] Respostas às 100 Perguntas sobre a Trindade– Roberto Biagini, pp. 13-14, 39, 133.

[8]Ibidem, p. 66.

[9] Revista Princípios, Escola Bíblica – Fernando Inglesias, p.92.





[14] Revista Princípios, Escola Bíblica – Fernando Inglesias, p. 73.

[15] Guia de Estudo Bíblia Fácil Apocalipse, Escola Bíblica, Arilton Oliveira, Frederico Branco, Jairo Souza, Manassés Queiroz, Milton Andrade & Társis Iríades, p.25.

[16] https://euquerocristo.com/2013/09/27/ultima-geracao/

[17] O Grande Conflito (Edição Condensada), Ellen White, Casa Publicadora Brasileira, 2004, pp. 365-366.






quarta-feira, 9 de novembro de 2016

ESBOÇO: DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA DOUTRINA DA TRINDADE


        Relaciono algumas uma lista de ideias (tanto ortodoxas, como heréticas) acerca da doutrina da Trindade desenvolvidas ao longo da história. Como esta lista é apenas um esboço, coloquei apenas uma frase que sintetiza alguma ideia ou contribuição de cada pensador (ou concílio, etc.). Este esboço se baseia em um resgate histórico feito por Silva (2014):



Inácio de Antioquia (35 – 107): O Filho preexistia antes dos séculos.

Justino de Roma (100 – 165): O Filho é a Potência gerada pelo Pai.

Teófilo de Antioquia (116 – 186): Foi o primeiro a usar o termo grego para Trindade.

Irineu de Lyon (130 – 202): O Filho e o Espírito Santo são as “mãos” de Deus.

Atenágoras de Atenas (133 – 190): O Espírito é a emanação do Pai.

Tertuliano (160 – 220): O Filho e o Espírito são porções procedentes da substância total do Pai.

Orígenes (185 – 254): O Filho é Eterno, mas não é Deus em si mesmo.

Alexandre de Alexandria (250 – 326): O Pai sempre foi Pai do Filho e o Filho sempre foi Filho do Pai.

Ário (256 – 336): Houve um tempo em que o Filho não existia.

Concílio de Niceia (325): O Filho é consubstancial com o Pai.

Miahipostáticos (325): Grupo que afirmava que Deus é uma Hipóstase em uma Substância.

Arianos (325): Grupo que afirmava que o Filho é diferente do Pai em Hipóstase e em Substância.

Homoiousianos (325): Grupo que afirmava que o Filho é de substância semelhante ao Pai.

Homoianos (325): Grupo que afirmava que o Filho é semelhante ao Pai.

Homoousianos (325): Grupo que afirmava que o Filho é da mesma substância que o Pai.

Marcelo de Ancira (285 – 374): O Reino do Filho teria um fim quando Ele entregasse o Reino ao Pai.

Atanásio de Alexandria (296 – 373): O Filho é o Deus Eterno e Salvador, consubstancial com o Pai.

Gregório de Nazianzo (329 – 390): O Espírito Santo é consubstancial com o Pai e com o Filho.

Basílio de Cesareia (330 – 379): O Espírito Santo é um ser Onisciente, Onipresente e Onipotente.

Agostinho (354 – 430): O Espírito Santo é o Amor que une o Pai e o Filho.

Concílio de Constantinopla (381): O Filho é consubstancial com o Pai e o Espírito procede do Pai.

Boécio (480 – 525): Cada Pessoa da Trindade é uma substância individual de uma natureza racional.

João de Damasco (676 – 749): O Espírito Santo procede somente do Pai e repousa no Filho.

Anselmo de Cantuária (1033 – 1109): O Espírito Santo procede do Pai e do Filho por uma espiração única.

Roscelino (1050 – 1125): As três Pessoas da Trindade são três seres em um só nome.

Gilberto de Poitiers (1070 – 1154): Faz uma distinção entre “Deus” e “Divindade”, sendo a Divindade aquilo que faz Deus ser Deus.

Bernardo de Claraval (1090 – 1153): Deus não tem Divindade, Ele é a Divindade e a Divindade é Deus.

Pedro Lombardo (1100 – 1160): O Pai gera o Filho na medida em que é distinto das outras pessoas em termos de relação

Ricardo de São Vítor (1110 -1173): Só a Trindade pode ser a expressão suprema do amor perfeito.

Joaquim de Fiori (1135 – 1202): O Pai gera o Filho na medida em que é idêntico com a substância divina.

Concílio de Latrão (1215): Na geração e na procedência há comunicação de essência.

Boaventura de Bagnoregio (1217 – 1274): Na Trindade há duas procedências, uma ativa (geração) e uma passiva (espiração).

Tomás de Aquino (1225 – 1274): Cada Pessoa da Trindade é uma relação subsistente no Ser de Deus.

Concílio de Lião (1274): Declara como dogma a crença de que o Espírito procede do Pai e do Filho.

Gregório de Palamas (1296 – 1357): O Espírito procede somente do Pai no nível da essência, mas procede do Pai e do Filho no nível da energia.

Concílio de Florença (1439 – 1442): O Filho recebeu do Pai que o Espírito dele proceda.

João Calvino (1509 – 1564): A essência divina do Filho não é comunicada pelo Pai, mas é adverbialmente autoexistente.

Zacarias Ursino (1534 – 1583): A essência do Pai é comunicada ao Filho de modo que oFilho não tem a essência divina de simesmo.

Lucas Trelcatius (1542 – 1602): O Pai dá ao Filho, não a essência, mas o modo de ser.

François Turrenti (1623 – 1687): O Filho é Deus de si mesmo com respeito a sua essência e não com respeito a sua pessoa.

Confissão de Fé Belga (1561): Embora as pessoas da Trindade sejam distintas, Deus não está dividido em três.

Segunda Confissão Helvética (1566): Condena os antitrinitários como hereges.

Johannes Maccovius (1588 – 1644): O Filho é gerado intraessencialmente, não para fora do Pai.

Confissão de Fé de Westminster (1648): Apresenta as distinções entre as pessoas divinas em termos de relações de origem.

George Bull (1643 – 1710): Só Deus Pai é autoexistente.

Alex Röell (1653 – 1718): O Filho é autoexistente e autosubistente, não sendo gerado pelo Pai.

Friedrich Schleiermacher (1768 – 1831): Jesus possui essência divina, não no sentido de ele ser Deus, mas no sentido de que ele, desde o início, tinha consciência de Deus.

Georg Hegel (1770 – 1831): A Trindade é uma dialética, na qual o Pai (a tese) em conflito com o Filho ( a antítese) produz o Espírito (a síntese) que se materializa na História.

Charles Hodge (1797 – 1878): Existe uma subordinação entre as pessoas divinas no modo de subsistência e operação.

Archibald Hodge (1823 – 1886): A ideia de comunicação de essência do Pai ao Filho parece mais uma explanação de um fato revelado do que um fato revelado.

Benjamin Warfield (1851 – 1921): Jesus é chamado “Filho de Deus” apenas no sentido de ser igual a Deus.

Herman Bavinck (1854 – 1921): A doutrina da comunicação da essência do Pai ao Filho é fundamental para a criação.

Surgei Bulgakov (1871 – 1944): O Filho é gerado do Pai e do Espírito.

Louis Berkhof (1873 – 1957): O Pai é a base da subsistência pessoal do Filho e comunica ao Filho a essência divina completa.

Karl Barth (1886 – 1968): A Trindade é a base da revelação, sendo o Pai, o Revelador, o Filho, a Revelação e o Espírito, a Revelatura.

Cornelius Van Til (1895 – 1987): Uma vez que Deus é um Ser pessoal, Deus é tanto três pessoas como uma Pessoa.

Karl Rahner (1904 – 1984): A Trindade Econômica é a Trindade Imanente e a Trindade Imanente é a Trindade Econômica.

Thomas Torrance (1913 – 2007): O Espírito Santo procede da substância da Trindade, de modo que é correto dizer tanto que o Espírito procede do Pai e do Filho, quanto que Ele  procede do Pai através do Filho.

Jürgen Moltmann (1926 -): A Trindade é uma família, cuja unidade se baseia, não numa essência, mas é constituída pelo Pai, centrada no Filho e iluminada pelo Espírito.

Thomas Smail (1928 – 2012): O Filho é eternamente gerado do Pai através do Espírito.

Robert Jenson (1930 - ): A Trindade é um evento de três identidades.

George Knight III (1931 - ): Embora iguais em essência, o Filho é eternamente submisso ao Pai na Trindade Imanente.

Bruce Ware (1953 - ): Por causa da ordem das pessoas na Trindade, a oração só é corretamente dirigida ao Pai.

Brannon Ellis (2012): A essência e as pessoas são igualmente fundamentais em Deus.



Fonte: SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014.


sábado, 5 de novembro de 2016

REFUTANDO O ANIQUILACIONISMO


       Por algum tempo da minha vida, por influência do aniquilacionismo adventista1, do aniquilacionismo russelita2 e do Aniquilacionismo banzoliano3, eu defendi a ideia de que a morte significa o término da existência (influência russelita) e de que o inferno era temporário, e não eterno (influência de Banzoli e dos adventistas). Não obstante, essa ideia está fundamentada em uma série de argumentações sustentadas sob a égide de pressupostos antibíblicos. Essas argumentações serão resumidamente apresentadas e respondidas neste artigo. Antes disso, porém, será feita uma apresentação breve e geral das bases bíblicas do imortalismo.

BASES BÍBLICAS DO IMORTALISMO
       Diferente da antropologia holista, as Escrituras nitidamente apresentam o homem como constituído de duas partes claramente distintas (uma física e uma espiritual), isso fica claro em:  Eclesiastes 12.7; 1 Coríntios 5.3,5; Tiago 2.26; 1 Coríntios 5.5; 7.34; 2 Coríntios 7.1 e Colossenses 2.5. Embora o termo “alma” e “espírito” sejam polissêmicos, assumindo diferentes significados ao longo das Escrituras, em alguns casos eles são usados justamente para descrever a parte espiritual que compõe o homem em distinção ao corpo físico.
      Falando da morte natural, Mateus 10.28 diz que somente o corpo (a parte física) morre e que a alma (a parte espiritual) não sofre a morte natural: “E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma.” Como essa afirmativa é clara quanto ao corpo morrer e a alma continuar viva, alguns aniquilacionistas buscam “parafrasear” o texto de forma a encaixá-lo na sua doutrina. No entanto, a declaração tal qual aparece no texto não corresponde ao que eles creem.  O texto diz claramente duas coisas: (i) o homem é formado de corpo e alma e (ii) a alma sobrevive a morte do corpo. Isso explica porque os aniquilacionistas inventam de tudo para tentar achar um modo de "reescrever" o texto com outras palavras.
       Paulo, em seu dilema entre morrer ou continuar vivendo, descreve a morte (e aqui, não a ressurreição no arrebatamento) como um “partir para estar com Cristo” (Filipenses 1.23). Jesus prometeu ao Ladrão da cruz que naquele mesmo dia ambos iriam ao paraíso. O advérbio de tempo “hoje” não se refere ao verbo “dizer”, como querem os aniquilacionistas, pois, o objetivo do advérbio era fornecer uma resposta à declaração do ladrão no verso anterior. O malfeitor provavelmente tinha a mentalidade judaica de que o Messias viria em glória para estabelecer seu reino no futuro. Ao usar o advérbio “hoje”, Jesus objetivava mostrar que o ladrão não precisaria esperar até o futuro, mas que naquele mesmo dia os dois já estariam juntos no paraíso celestial (Lucas 23.42-43; 2 Coríntios 12.2-3).
       Em Lucas 16.19-31 Jesus narra a parábola do rico e Lázaro. Ela faz parte de uma perícope composta por oito narrativas, que contextualmente mostram o favor de Deus em relação aos gentios pecadores e Sua reprovação em relação ao judaísmo farisaico. Todas essas parábolas, ainda que contenham elementos simbólicos e figurados, são baseadas em coisas que acontecem na realidade. Nenhuma parábola da perícope se baseia em ilustrações puramente irreais, muito menos em uma heresia. Isso não significa que a parábola seja uma história literal, nem que possamos basear doutrinas em seus pormenores, e muito menos que seja possível extrair dela uma radiografia exata do além.  Por outro lado, na medida em que as parábolas da perícope se baseiam em eventos do mundo real, devemos entender que, apesar dos elementos simbólicos que aparecem na parábola, Jesus só a contaria se realmente na vida real pessoas morressem e fossem para o céu ou para o inferno.
      Quanto ao inferno eterno, as Escrituras declaram que os ímpios serão lançados na fornalha ardente (Mateus 13.49-50), no fogo eterno (Mateus 25.41,46), sofrerão o castigo eterno (Daniel 12.2) e que eles serão atormentados para todo o sempre (Apocalipse 20.10). A ideia de “eterno” , não é apenas “eterno em consequências”, mas “eterno em duração”. A palavra é usada nos mesmos contextos em referência à “vida eterna” (Daniel 12.2; Mateus 25.46). É importante observar que o que está em antítese no texto não é a qualidade da recompensa final (ambas são eternas em duração), mas sim o tipo de recompensa (inferno ou vida). É um absurdo hermenêutico interpretar a mesma palavra lado a lado no mesmo verso com significados diferentes.

RESPOSTAS AOS ARGUMENTOS ANIQUILACIONISTAS
1.      A Bíblia fala da morte como um sono.
Resposta: Nas Escrituras, a descrição da morte como um sono é um exemplo de uma figura de linguagem chamada de eufemismo. Crenças judaicas antigas podem de fato servir de pano de fundo para essa linguagem, visto que, eufemismos são baseados nas crenças populares de um povo. Hoje, quando uma pessoa morre as pessoas dizem que "fulano está descansando", “faleceu”, "bateu as botas", "foi viajar", etc. De modo similar, as Escrituras descrevem a morte como um sono, cujo objetivo não é fornecer uma descrição literal do além.
2.      ECLESIASTES 9.5-10 diz que os mortos estão inconscientes.
Resposta: Eclesiastes é um livro que descreve como seria a vida sem Deus.  Ele diz que tudo seria sem sentido, até trabalhar ou estudar. Em Eclesiastes 9.5-10 Salomão declara que sem Deus nada haveria além desta vida.  Na verdade, o texto não diz que com a morte tudo acaba, mas sim que, com a morte não temos mais participação neste mundo ("debaixo do sol"). Depois que morrermos não participaremos mais dos sentimentos, dos trabalhados e das atividades que se fazem na terra.
3.      A ideia de vida após a morte torna a ressurreição sem sentido.
Resposta: O objetivo da ressurreição é redimir o corpo.  As almas dos salvos que morreram estão justamente aguardando a redenção de seus corpos. A ressurreição é profundamente importante. Paulo argumenta que se não houvesse ressurreição, não haveria redenção alguma: "também Cristo não ressuscitou" (1 Coríntios 15.13-14), o que tornaria nossa existência neste mundo totalmente sem sentido (1 Coríntios 15.29-34). A ressurreição é essencial para o processo de regeneração, justificação e glorificação (Romanos 4.25; 5.10; 6 4-9; 8.11; 1Coríntios 6.14; 15.20-22; 2Coríntios 4.10-14; Efésios 1.20; Filipenses 3.10; Colossenses 2.12; 1Tessalonissenses 4.14; 1Pedro 1.3). Sem ressurreição, não há redenção. As almas não poderiam nem mesmo gozar de um estado intermediário no céu sem a redenção, a regeneração, a justificação e a esperança da glorificação. Portanto, é um mito achar que crer no estado intermediário consciente das almas signifique negligenciar a verdade da ressurreição, ao contrário, o estado intermediário depende da ressurreição.
4.      De acordo com a Bíblia, vamos para o céu só quando Jesus voltar.
Resposta: Se “céu” for entendido como o estado final em que todas as coisas, corpo, alma e criação, já estarão restaurados, de fato, estaremos lá só quando Cristo vier segunda vez. No entanto, não se deve confundir a expressão “céu” em referencia ao estado intermediário e a expressão “céu” em referência ao estado eterno. Do mesmo modo que não se pode confundir a ideia de inferno intermediário (Hades) com a de inferno eterno (Geena).
5.      A palavra “inferno” não aparece na Bíblia.
Resposta: Na verdade, as Escrituras usam as palavras Seol4, Hades5 e Geena6. As duas primeiras são polissêmicas, podendo significar “sepultura”, “(figuradamente) a Sepultura comum da humanidade”, “a própria morte”, “o estado intermediário” ou “o inferno intermediário de tormento” (Salmos 141.7; Salmos 88.10-12; Lucas 10.15; 16.23). Geena, por sua vez, é uma alusão ao Vale de Hinom, no qual se queimavam lixo e cadáveres. A figura do vale de Hinom, com fogo e bichos, foi usada como uma ilustração do inferno eterno, no qual os ímpios, em corpo e alma, serão eternamente atormentados (Marcos 9.43-48).
6.      A Bíblia diz que a alma morre.
Resposta: Como já dito, as expressões “alma” e “espírito” são palavras polissêmicas, podendo se referir a aspectos psicológicos, a princípios vitais, a substância imaterial ou a própria pessoa. Neste último sentido, as Escrituras falam que a alma morre (Ezequiel 18.4), enquanto neste penúltimo, diz que ela sobrevive à morte do corpo (Mateus 10.28).
7.      Se os ímpios serão atormentados eternamente no fogo do inferno, então, eles viverão eternamente.
Resposta: O termo “vida eterna” nas Escrituras não significa meramente “duração perene de existência”. Vida eterna e imortalidade, na Bíblia, significam comunhão plena e eterna na presença de Deus (João 17.3; 1 João 2.24-25). Visto que “vida eterna” significa eterna comunhão com Deus, a eterna separação de Deus é corretamente chamada “morte eterna” (Apocalipse 21.8). Por outro lado, Deus se faz bem presente no inferno manifestando sua santa ira para louvor do Seu Nome (Salmos 76.10).


CONSIDERAÇÕES FINAIS

       O aniquilacionismo não é uma doutrina bíblica, mas uma crença que conforta o coração idólatra de pessoas com um senso de justiça deturpado, as quais são incapazes de aceitarem como direita a reta punição de Deus revelada nas Escrituras. A Bíblia é clara em descrever a destruição final dos ímpios, não como um aniquilamento, mas como a eterna separação de Deus: “Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação da presença do Senhor e da majestade do seu poder.” (2 Tessalonicenses 1:9).7 Confessamos que:
“Os corpos dos homens, depois da morte, convertem-se em pó e vêm a corrupção; mas as suas almas (que nem morrem nem dormem), tendo uma substância imortal, voltam imediatamente para Deus que as deu. As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na santidade, são recebidas no mais alto dos céus onde vêm a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos; e as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde ficarão, em tormentos e em trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia final. Além destes dois lugares destinados às almas separadas de seus respectivos corpos as Escrituras não reconhecem nenhum outro lugar.” (CFW XXXII.I)

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1É possível ler sobre o aniquilacionismo adventista no capítulo 33 do livro “O Grande Conflito (Edição Compacta)  - Ellen White – Casa Publicadora Brasileira, 2004”.
2 Para uma visão do aniquilacionismo jeovista, é possível ler sobre ele no livro “Raciocínio a Base das Escrituras”, nos índices sobre “morte”, “inferno”, “alma” e “espírito”; e no capítulo 6 do livro “O que a Bíblia realmente ensina/ Você pode entender a Bíblia”, ambos publicados pelas Testemunhas de Jeová. O capítulo 6 do livro “Você pode entender a Bíblia” está disponível on-line (https://www.jw.org/pt/publicacoes/livros/estudo-da-biblia/que-acontece-quando-morremos/).
3O aniquilacionismo de Lucas Banzoli pode ser estudado, especialmente, em seu livro “A Lenda da Imortalidade da Alma”. E vários artigos do mesmo sobre o assunto podem ser lidos em: http://www.lucasbanzoli.com/2015/07/artigos-sobre-imortalidade-da-alma.html
4 A palavra Seol ocorre ocorre 66 vezes no Antigo Testamento. Todas as passagens bíblicas em que a palavra Seol aparece são: Gn37.35; 42.38; 44.29,31; Nm16.30,33; Dt32.22; 1Sm2.6 ;2Sm22.6; 1Rs2.6,9;Jó7.9;11.8;14.13;17.13,16;21.13;24.19;26.6;SL6.5;9.17;16.10;18.5;30.3;31.17;49.14,15;55.15;86.13;88.3;89.48;116.3;139.8;141.7;Pv1.12;5.5;7.27;9.18;15.11,24;23.14;27.20;30.16;Ec9.10;Ct8.6;Is5.14;7.11;14.9,11,15;28.15,18;38.10,18;57.9;Ez31.15,16,17; 32.21,27;Os13.14;Am9.2;Jn2.2;Hc2.5.
5 As 10 passagens em que a palavra “Hades” aparece no Novo Testamento são: Mt5.23;16.18;Lc10.15;16.23;At2.27,31; Ap1.18;6.8;20.13,14.
6A palavra Geena ocorre 12 vezes no Novo Testamento: Mt5.22,29,30;10.28;18.9;23.15,33;Mc9.43,45,47;Lc12.5;Tg3.6.
7Para uma visão bíblica do inferno, veja  “O Castigo Eterno – A.W. Pink” (disponível em: http://www.monergismo.net.br/textos/livros/castigo-eterno_awpink.pdf); o sermão “Pecadores nas mãos de um Deus irado – Jonathan Edwards” (http://www.monergismo.com/textos/advertencias/pecadores_maos_deus_irado.htm) , o artigo “Inferno Eterno ou Aniquilação” de Felipe Forti (http://olharunificado.blogspot.com.br/2016/02/inferno-eterno-ou-aniquilacao.html) e o artigo “Reconsiderando o Aniquilacionismo Evangélico – James Packer” (http://www.monergismo.com/textos/inferno/aniquilacionismo_packer.htm). Para uma defesa da doutrina da imortalidade da alma, aconselho o web site do teólogo metodista Paulo Sérgio de Araújo (http://www.imortalidadedaalma.com/).