sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ARGUMENTOS ATANASIANOS E VITORINOS A FAVOR DA TRINDADE


        Abaixo estão sistematizados alguns argumentos baseados em Atanásio (296 – 373), defensor da fé nicena e no escolástico Ricardo de São Vitor (1010 – 1173). A preocupação de Atanásio está em defender a consubstancialidade do Pai e do Filho, enquanto a de Ricardo de São Vitor está em apresentar a Trindade como a expressão suprema do amor perfeito.


ARGUMENTOS ATANASIANOS

ARGUMENTO METAFÍSICO


1.      Deus é Imutável em sua natureza (isto é: sempre foi e será o que é)


2.      Deus é por natureza o Pai do Filho.
3.      Logo, o Pai sempre foi, é e será Pai do Filho (por implicação: O Filho é eterno)

ARGUMENTO SOTERIOLÓGICO

1.      Somente Deus pode salvar.
2.      O Filho salva.
3.      Logo, o Filho é Deus.

ARGUMENTO REVELACIONAL
1.      Apenas Deus pode revelar Deus de maneira perfeita.
2.      O Filho é a verdadeira revelação de Deus
3.      Logo, o Filho é Deus.

       As conclusão dos argumentos atanasianos de que o Filho é o Deus Eterno e Salvador, exige que a Divindade do Filho seja considerada em sentido absoluto, assim como se considera o termo “Deus” em relação ao Pai. Desse modo, esses argumentos têm como propósito fundamentar a crença na consubstancialidade (homoousis) do Pai e do Filho.

ARGUMENTOS VITORINOS

ARGUMENTO DO PRINCÍPIO DO AMOR

1.      Para o amor existir é necessário haver pelo menos duas pessoas que se amam.

2.      Aquele que é amado deseja que alguém mais possa ser amado.

3.      Logo, a mais excelente forma de amor exige uma terceira pessoa.

ARGUMENTO DO PRINCÍPIO DO AMOR A FAVOR DA TRINDADE

1.      Conforme demonstrado no argumento acima, a mais excelente forma de amor exige uma terceira pessoa.

2.      Deus é a expressão suprema do amor perfeito.

3.      Logo, Deus precisa ser uma Trindade (Três Pessoas)

ARGUMENTO DO PRINCÍPIO DO AMOR CONTRA A QUATERNIDADE

1.      Existem quatro possibilidades em relação a dar/não dar e receber/não receber amor: (i) dar e receber; (ii) dar e não receber; (iii) não dar e receber; (iv)não dar nem receber.

2.      Uma pessoa que não dá nem recebe amor (iv) não pode compartilhar do amor perfeito.

3.      Logo, Deus não pode ser uma quaternidade que inclua (iv), mas somente uma Trindade de amor entre (i), (ii) e (iii).

       Os argumentos vitorinos apresentam a Trindade divina como a expressão da forma mais suprema de amor. O amor intertrinitário se dá entre o Pai que dá, mas não recebe amor, sendo plenamente gracioso; o Filho que dá e recebe amor, sendo plenamente gracioso e grato e; o Espírito Santo que não dá, mas recebe amor, sendo plenamente grato. O Pai é a plenitude do amor gracioso, o Filho é a plenitude do amor grato e gracioso e o Espírito Santo é a plenitude do amor grato. Ou seja, somente a Trindade apresenta um fundamento metafísico para as três formas possíveis de compartilhar amor. Isso pode ser melhor visualizado no quadro abaixo:




CONSIDERAÇÕES FINAIS

       A fé ortodoxa nos obriga a confessar a consubstancialidade (homoousis) do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A substância, natureza, essência ou o “ser” indivisível da Divindade está presente de maneira plena e inteira em cada uma das pessoas divinas.  Na medida em que somente a Trindade constitui o modelo mais excelente e supremo de amor, somente a crença no Deus Triúno é capaz de fornecer um fundamento ontológico último para todas as relações intersubjetivas de amor que existem no mundo.


FONTE:
 SILVA, André de Aloísio de Oliveira da. A Trindade Imanente: Unidade de essência e diversidade de pessoas como igualmente fundamentais em Deus. Teresinha: Seminário Teológico do Nordeste Memorial Igreja Presbiteriana da Coreia – Monografia, 2014.




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