quinta-feira, 17 de novembro de 2016

SEITA: ADVENTISMO DO SÉTIMO DIA


Bruno dos Santos Queiroz

       Embora alguns apologistas, tais como Walter Martin e Fernando Galli, considerem a Igreja Adventista do Sétimo Dia como parte do Cristianismo[1], na medida em que o Adventismo nega a doutrina clássica da Trindade, a inerrância e a inspiração exclusiva das Escrituras, torna o sábado um mandamento com significado soteriológico - escatológico central, além de possuir uma estranha doutrina da expiação, o movimento adventista deve ser classificado como uma seita herética, juntamente com os mórmons e Testemunhas de Jeová. Vejamos algumas das heresias da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as quais deixarão claro, não só os erros doutrinários do movimento, mas também que o Adventismo é uma seita perniciosa.



NEOTRINITARIANISMO ADVENTISTA

       Assim como os mórmons, os adventistas afirmam crer numa forma diferente de Trindade. O neotrinitarianismo adventista guarda interessantes semelhanças com a “trindade mórmon”, se afastando do dogma trinitário tradicional. Primeiramente vejamos uma definição ortodoxa da doutrina da Trindade:

"Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível [...]

Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade - Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo, O Pai não é de ninguém - não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho." (CFW I.I,III)[2]

       A crença adventista é contrária a essa visão ortodoxa sobre Deus e a Trindade em pelo menos quatro pontos. Os adventistas creem que:

1.       Deus tem corpo, forma e partes:

 “Os pioneiros argumentavam que esse conceito contradiz a Bíblia, pois ela apresenta Deus como um ser pessoal ‘tangível’, que ‘possui corpo e partes’[...] Os primeiros adventistas rejeitavam corretamente a Trindade dos credos, que apresenta um Deus ‘sem corpo ou partes’ e não distingue claramente as pessoas da Divindade.”[3]

“Não pude contemplar a pessoa do Pai, pois uma nuvem de gloriosa luz O cobria. Perguntei a Jesus se Seu Pai tinha forma dEle, Jesus disse que sim” “Tenho visto muitas vezes o amorável Jesus, que é uma pessoa. Perguntei-Lhe se Seu Pai era uma pessoa e tinha a mesma forma que Ele. Disse Jesus: ‘Eu sou a expressa imagem da pessoa de Meu Pai.’” [4]

2.       Cada pessoa da Trindade é um ser individual tangível:

“[...] os três membros da Divindade como indivíduos tangíveis e pessoais, vivendo desde a eternidade em união de natureza, caráter, propósito e amor, mas ainda assim tendo cada uma Sua identidade pessoal. Este é um ponto de vista simples e bíblico da Trindade, em contraste com os pontos de vista tradicionais, baseado na pressuposição filosófica grega.”[5]

“White rejeita claramente a opinião da Trindade que faz Deus parecer distante, intocável, impessoal; e aceita um ponto de vista literal, bíblico da Trindade, uma opinião que mostra a Deus como incluindo três personalidades divinas individuais, que são um em natureza, caráter, propósito e amor.”[6]

3.      Jesus não foi gerado eternamente pelo Pai:

“Ele era Filho de Deus ‘constituído’ por decreto divino (Sal. 2:6‑7). Depois da Encarnação, Ele era Filho de Deus ‘de fato’ (João 1:34). [...] Ser Cristo Filho de Deus não significa que Ele foi originado e nascido do Pai; significa que Ele tem a mesma natureza do Pai, e é igual a Ele.” “Portanto, ser Cristo chamado de ‘Unigênito’ também não significa que Ele foi gerado naquele tempo, antes da Encarnação!” “Se é verdade que o ‘Filho unigênito’ (João 3:16) foi gerado literalmente pelo Pai na eternidade, então Cristo morreu como Cordeiro literalmente desde a fundação do mundo (Apo. 13:8); mas seria outro absurdo.”[7]

4.      O Espírito Santo não procede eternamente do Pai e do Filho:


“Tudo por conta de apenas um só texto (João 15:26) que não ensina isso [a processão do Espírito]. E apesar de nos mandar a exegese que não criássemos doutrina alguma baseada num só texto da Bíblia.”[8]


       Portanto, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, contrariando o trinitarianismo bíblico, ensina que a Trindade é uma unidade composta[9] formada por três seres individuais tangíveis e corpóreos, além de negar a visão clássica de que Jesus sempre foi literalmente Filho de Deus e a doutrina da processão eterna do Espírito. Ao fazer isso, os adventistas se afastam da Trindade Cristã e se aproximam do trinitarianismo herético dos mórmons. Observe as semelhanças com o neotrinitarianismo mórmon:

“A crença Mórmon é que eles são três seres separados e com papéis distintos, mas que são um em propósito e doutrina.”[10]

“Não podemos crer, por um momento sequer, que Deus não possua um corpo, partes, paixões ou atributos.” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja, p.29). [11]



CRENÇAS ADVENTISTAS SOBRE A BÍBLIA



       A Igreja Adventista do Sétimo Dia ensina que a Bíblia contém erros reais, além de afirmar que os escritos da profetisa Ellen White são tão inspirados quanto as Escrituras:


“Nós cremos que Ellen White foi inspirada pelo Espírito Santo e que seus escritos, um produto dessa inspiração, são aplicáveis e autoritativos, especialmente aos Adventistas do Sétimo Dia.” “Nós não cremos que a qualidade ou nível de inspiração nos escritos de Ellen White são diferentes daqueles encontrados nas Escrituras.”[12]

“A inspiração divina não impediu que os autores bíblicos cometessem ‘erros’ de natureza histórica ou científica, uma vez que estes não afetam nossa salvação. A Bíblia não é inerrante em tudo quanto diz, mas é infalível em tudo quanto ensina com respeito a fé e a prática.” “[...] a doutrina da inerrância bíblica é carente de apoio bíblico. Em parte alguma os autores bíblicos reivindicam que suas declarações sejam inerrantes. Tal conceito tem sido deduzido a partir da idéia da inspiração divina. Presume-se que, sendo a Bíblia divinamente inspirada, deve também ser inerrante. Todavia, a Bíblia nunca faz a equivalência de inspiração com inerrância.” “Uma razão final para a rejeição da inerrância absoluta, no caso dos adventistas, são os ensinos de Ellen White, e o exemplo da produção de seus escritos”[13]



DOUTRINAS SOTERIOLÓGICAS-ESCATOLÓGICAS ESTRANHAS

      

       As visões soteriológicas-escatológicas da Igreja Adventista do Sétimo Dia são inconsistentes com sua afirmação de que o movimento crê na doutrina da salvação pela graça somente. De acordo com a seita, no ano de 1844, Jesus teria mudado de lugar no Céu, saindo do “santo” e indo para o “santíssimo”. Tal ensino, a principal doutrina do movimento, foi baseado em uma falsa profecia propagada por Guilherme Miller:

“Ou seja, para Miller, O MUNDO ACABARIA em 25 anos [...] A notícia de que Jesus voltaria em 1844 foi divulgada para muitas pessoas. [...] Na realidade, a profecia de Daniel 8.14 indicava que em 1844, Jesus passaria do LUGAR SANTO no santuário celeste para o LUGAR SANTÍSSIMO; assim como fazia o sumo sacerdote no dia da purificação do santuário terrestre. Em 22 de outubro de 1844 começou o grande DIA DO JULGAMENTO NO CÉU, o qual vivemos até hoje.”[14]



       Os adventistas ensinam que no futuro haverá um decreto dominical, e aqueles que optarem por guardar o Domingo, serão selados com a marca da Besta, sendo, o selo de Deus, o sábado. Afirmam estranhamente que os adventistas da última geração viverão sem pecar e afirmam também que Satanás levará sobre si os nossos pecados:

“Aproxima-se o dia em que todos os seres humanos estarão divididos em apenas dois grupos. Cada um deles terá um sinal identificador – selo de Deus ou selo da besta. Escolher a qual deste grupo vamos pertencer é um assunto de vida ou morte, que devemos resolver aqui e agora.”[15]

“Última geração de salvos será composta por servos de Deus totalmente libertados da escravidão do pecado. Antes que seja fechada a porta da graça esses servos de Deus selados e na plenitude do Espírito, pela graça de Deus estarão vivendo sem pecar. Mesmo estando vivendo no tempo de angústia enfrentando grandes provações essa última geração de salvos provará ser possível sim, fortalecido pela graça de Deus, viver sem pecar, fortalecidos pelo Senhor Espírito Santo estarão prestando plena obediência a lei de Deus.” [16]

“Ocorre agora o acontecimento prefigurado na última cerimônia do Dia da Expiação. [...] ao contemplar-se a obra da expiação no santuário celestial, na presença de Deus e dos anjos celestiais e da multidão de remidos, então os pecados do povo de Deus serão postos sobre Satanás, declarar-se-á ser ele culpado de todo o mal que os fez cometer.”[17]

        A Igreja Adventista é semi-pelagiana, no adventismo a salvação se dá "Mediante a graça de Deus e seu [ dos salvos da última geração] próprio diligente esforço..." (Grande Conflito - Ed. Condensada, p.242). O salvo precisa "...cumprir as condições para que a graça seja concedida" (Grande Conflito - Ed. Condensada, p.269). Ainda, o Adventismo tem uma doutrina de expiação própria. Os pecados das pessoas não são apagados simplesmente com o sacrifício de Cristo: "O sangue de Cristo assegurou perdão e aceitação diante do Pai, em favor dos crentes arrependidos, embora seus pecados ainda permanecessem nos livros de registro" (Grande Conflito - Ed. Condensada, p.239). Cristo ainda precisa efetuar uma expiação no Céu que começou em 1844: "O julgamento que iniciou em 1844 deve prosseguir até que sejam decididos todos os casos, tanto dos vivos quanto dos mortos" "A fim de preparar-se para o juízo os homens devem observar a lei de Deus, que será a norma de caráter no juízo." (Ibidem, p.249).
       A forma como se dá o Juízo investigativo deixa claro que a doutrina é inconsistente com a crença na salvação pela graça. De acordo com Ellen White: "Os livros de registro no Céu devem determinar a decisão do juízo... No livro de memórias estão registradas as boas ações..." (Ibidem, p.273). "Há também um relatório dos pecados dos homens... A lei de Deus é a norma pela qual se efetua o julgamento... Os justos não ressuscitarão senão depois do juízo, no qual são havidos por dignos da 'ressurreição da vida'"(Ibidem, p.274)."Ao abrirem-se os livros de registro no juízo, é passada em revista perante Deus a vida de todos os que creem em Jesus... Quando alguém tiver pecados que permanecem nos livros de registro, para os quais não houve arrependimento nem perdão, seu nome será omitido do livro da vida... Jesus não lhes justifica os pecados, mas apresenta o seu arrependimento e fé." (Ibidem, p.275). "Cristo colocará todos esses pecados sobre Satanás... Satanás levando a culpa de todos os pecados que levou o povo de Deus a cometer, estará durante mil anos circunscrito à terra desolada, e por fim sofrerá a pena de fogo que haverá de destruir  a todos os maus. Assim o plano da redenção atingirá seu cumprimento na erradicação final do pecado."  (Ibidem, p.276).


CONSIDERAÇÕES FINAIS



       A Igreja Adventista do Sétimo Dia não é simplesmente uma denominação cristã com alguns erros, mas uma seita herética. Devemos tomar cuidado com o modo sutil pelo qual o movimento adventista vem introduzindo suas heresias na mente de cristãos sinceros. Alertemos nossos irmãos para o fato de que a “Igreja da TV Novo Tempo” nega a doutrina bíblica da Trindade, a inerrância bíblica, além de defender a inspiração de escritos extrabíblicos e ensinar uma doutrina da salvação que pode ser considerada semi-pelagiana:

“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” – Mateus 7.15





Apêndice: É O ADVENTISMO UMA SEITA?

       Desde 1957 quando da publicação do "Questões Sobre Doutrina", o Adventismo vem adotando uma postura proselitista que mascara suas heresias. O Adventismo considera-se a única igreja verdadeira que deve chamar as pessoas a saírem das outras igrejas ("o protestantismo apóstata"). Segundo a crença adventista, embora as igrejas protestantes sejam apóstatas, há salvos nelas que precisam ser chamados a "saírem de Babilônia". Com o objetivo de atrair esses "irmãos" de fora, o adventismo tem maquiado suas crenças adotando uma linguagem que exteriormente é igual a dos protestantes, mas que não tem o mesmo significado. Um exemplo é a Trindade. Quando adventistas dizem crer na Trindade, eles não especificam que eles creem numa trindade diferente da Trindade ortodoxa. Ao fazer isso, muitos eruditos respeitados acabam sendo enganados pela ideia de que o Adventismo tem um corpo doutrinário ortodoxo divergindo apenas em algumas doutrinas distintivas dos demais evangélicos. No entanto, temos pelo menos três motivos para ver o Adventismo como uma seita:
1. Negam a Trindade: Eles negam a Trindade ensinada historicamente pela Igreja (Um só Ser divino Puro Espírito em três pessoas distintas) e adotam uma forma de trindade triteísta (Três seres divinos separados com corpo e partes numa unidade) e herética baseada nos escritos de Ellen White - por isso se um adventista disser "creio na Trindade", lembre-se - Não é a mesma Trindade que a nossa!
2. Negam a Soteriologia Bíblica: Eles ensinam que mesmo após o sacrifício de Cristo os pecados dos salvos continuam "registrados" e por isso Jesus reali
za desde 1844 uma expiação no Céu, um juízo investigativo que avalia obras da Lei e ainda ensinam que Satanás levará sobre si os nossos pecados. Afirmam ainda que só a religião deles é a verdadeira igreja, "a remanescente" e que no futuro guardar o sábado será uma questão decisiva entre quem será salvo ou quem irá se perder (os guardadores do Domingo, "a marca da Besta")
3. Negam a inerrância bíblica e o Sola Scriptura reformado: Ensinam que Ellen White foi tão inspirada quanto os escritores bíblicos e seus ensinos autoritativos para a Igreja e ainda afirmam que a Bíblia tem erros e contradições reais.

FONTES:






[4]Primeiro Escritos – Ellen White, pp.74 e 97. Disponível em: http://centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Primeiros%20Escritos.pdf

[5]A Trindade, p.248 citado por A Conspiração Adventista – Luciano Sena.


[7] Respostas às 100 Perguntas sobre a Trindade– Roberto Biagini, pp. 13-14, 39, 133.

[8]Ibidem, p. 66.

[9] Revista Princípios, Escola Bíblica – Fernando Inglesias, p.92.





[14] Revista Princípios, Escola Bíblica – Fernando Inglesias, p. 73.

[15] Guia de Estudo Bíblia Fácil Apocalipse, Escola Bíblica, Arilton Oliveira, Frederico Branco, Jairo Souza, Manassés Queiroz, Milton Andrade & Társis Iríades, p.25.

[16] https://euquerocristo.com/2013/09/27/ultima-geracao/

[17] O Grande Conflito (Edição Condensada), Ellen White, Casa Publicadora Brasileira, 2004, pp. 365-366.






3 comentários:

Bruno Queiroz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Acredito que você precisa rever os seus escritos e estudos sobre este assunto. E estudar muito mais a Bíblia, bem mais. Ao invés de se apegar a textos escritos por homens sem fé.

Bruno Queiroz disse...

Olá, Anônimo, não me apego a escritos humanos, minha única regra de fé e prática são as Escrituras. Quando cito uma Confissão ou um teológo, não o faço por crer que eles são inspirados, nem tomo-os como regra infalível de fé, estou apenas considerando a contribuição de grande homens de Deus, mas não tomando-os como fundamento último. Uma ilustração, se estou lendo o livro, é natural que eu encontre passagens difíceis, logo seria interessante eu buscar saber como pessoas mais experientes entenderam essas partes difíceis. Com as doutrinas bíblicas eu apenas estou respeitando a contribuição de teólogos e confissões para saber (1) Como os homens de Deus e a Igreja Universal compreenderam ao longo da História certas doutrinas (2) Como os teólogos e exegetas fiéis a Deus interpretaram certas passagens. No entanto, tudo isso, eu julgo através da Escritura. Isso significa que eu concordo com um homem naquilo, e somente naquilo, em que ele concorda com as Escrituras. Essa distinção é a que fazemos entre "norma normans" ( a norma que regula - as Escrituras somente) e a norma normata (as normas que devem ser aceitas somente naquilo em que expressam com exatidão o ensino das Escrituras - credos e confissões). Sim, reconheço que devo estudar muito, mas muito mais, as Escrituras. Tanto é que uso este blog com as seguintes observações: 1. Os artigos do meu blog são sistematizações progressivas daquilo que vou estudando e não artigos que pretendem ser completos e perfeitos.
2. Meu blog não é unicamente apologista ou teológico, mas insiro nele textos de diversos tipos e assuntos
3. Os meus estudos expostos on-line e sujeitos a críticas são um meio de eu depurar e aperfeiçoar minhas concepções e aprimorar meus estudos.