sábado, 5 de agosto de 2017

REFUTAÇÃO DOS ARGUMENTOS CONTRA A GUARDA DO DOMINGO

Mesmo antes da Queda, Deus instituiu o descanso semanal (Gênesis 2.1-4). O sétimo dia foi observado pelo povo do Senhor mesmo antes do Sinai (Êxodo 16.23), foi incluído entre os preceitos do Decálogo como um lembrete da Criação (Êxodo 20.8-11) e da Redenção (Deuteronômio 5.12-15). O quarto mandamento foi exposto pelos profetas como um dia de descanso (Isaías 58.13-14) e o povo, após o exílio, comprometeu-se pactualmente em observá-lo (Neemias 13.15-22). 
Antes da ressurreição do nosso Senhor, Jesus observou o sábado no sétimo dia (Lucas 4.16), e assim também faziam os cristãos (Lucas 23.54-56). Então, Cristo ressuscitou no primeiro dia (Marcos 16.9), fez do domingo um dia de reunião com seus discípulos (Marcos 16.9-11; Mateus 28.8-10; Lucas 24.34; Marcos 16.12-13; João 20.19-23). No domingo, Cristo abençoou seus discípulos (João 20.19), soprou sobre eles o Espírito (João 20.22), ordenou-lhes a grande comissão (João 20.21), ascendeu aos céus (João 20.17) e em um domingo derramou o Seu Espírito sobre a Igreja no Pentecostes (Atos 2.1).
Com tantas demonstrações, a Igreja entendeu que Cristo havia mudado o dia de descanso do sábado para o domingo e, então, fez do Domingo o seu dia de culto (Atos 20.6-7; 1 Coríntios 16.2). No primeiro dia da semana, Cristo entregou sua última grande revelação à Igreja que já reconhecia o domingo como o Dia do Senhor (Apocalipse 1.10). A partir de então, o domingo passou a ser recebido pelos cristãos como o “sábado cristão”, ocupando um lugar especial na fé da Igreja desde a patrística até os símbolos reformados.
Assim, é estranho que um mandamento que tenha tido lugar desde a Criação, que tenha recebido o testemunho da Lei e dos Profetas, que foi restabelecido depois do exílio, observado por Cristo e os apóstolos e que continuou a ser observado pela Igreja ao longo da História, seja hoje tão atacado e negligenciado. Os argumentos contra o Domingo são de naturezas diversas, vem de dispensacionalistas que advogam a abolição da Lei, de sabatistas que negam a mudança do sábado para o domingo e de outros que pensam ter a Igreja adotado o primeiro dia da semana como dia de culto por mera convenção. Objetaremos contra alguns argumentos que têm sido levantados contra a obrigatoriedade da guarda do Domingo:

Objeção 1: A Lei foi abolida (Efésios 2.15). Cristo cumpriu a Lei em nosso lugar, desse modo, estamos desobrigados da observância do quarto mandamento.
Resposta: É verdade que o cristão não está debaixo da Lei como um Pacto de Obras, e nesse sentido, é correto dizer que a Lei foi abolida. Mas a observância da Lei ainda é obrigatória para o cristão como um meio do qual Deus faz uso para a santificação dos seus filhos. É nesse sentido que Cristo declara que a Lei não pode ser abolida (Mateus 5.17-18) e que o apóstolo Paulo afirma expressamente que a Lei não foi anulada (Romanos 3.31). É verdade que Cristo obedeceu a Lei Moral em nosso lugar como Pacto das Obras para nossa justificação e assim nós não temos que guardar a Lei para sermos justificados (Gálatas 2.16), mas isso não significa que não estejamos obrigados a obedecer a Lei divina para nossa santificação. Além disso, a Lei da qual fala Efésios 2.15 é a Lei na forma de ordenanças e mandamentos que separava judeus e gentios, isto é, a Lei cerimonial. A Lei cerimonial do Antigo Testamento foi revogada com a morte de Cristo, mas a Lei moral permanece irrevogável.

Objeção 2: O quarto mandamento é de natureza cerimonial (Levítico 23.3) e foi abolido como as demais cerimônias do judaísmo (Colossenses 2.16-17; Gálatas 4.10).
Resposta: Embora o Antigo Testamento fale de sábados cerimoniais, que até mesmo poderiam cair em um dia que não fosse o sétimo (Levítico 23.3,11,15,16,32,38) e, ainda que o Novo Testamento ensine que esses sábados cerimoniais tenham sido abolidos juntamente com os demais dias de festividades judaicas (Colossenses 2.16-17; Gálatas 4.10). Esse sábado cerimonial deve ser distinguido do sábado moral. Enquanto os sábados cerimoniais são apresentados nas Escrituras ao lado das festividades judaicas (Oséias 2.11: “E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades.”), o sábado moral é apresentado no contexto dos mandamentos morais. Ele é incluído como um mandamento criacional e um dos princípios morais do Decálogo.
Que todos os mandamentos do Decálogo são de natureza moral, isso fica claro: (i) pela própria natureza dos mandamentos que estão gravados na consciência de todos os homens e que se manifestam em todas as culturas; (ii) porque os profetas sempre que denunciam os pecados do povo fazem isso expondo algum mandamento do Decálogo; (iii) porque Cristo resumiu a Lei Moral tendo em mente as duas tábuas do Decálogo: amar a Deus (primeiro ao quarto mandamentos) e amar ao próximo (quinto ao décimo mandamento) – Mateus 22.35-40; (iv) porque os apóstolos receberam os dois grandes mandamentos de Cristo sobre o amor como um resumo dos mandamentos do Decálogo (Romanos 13.9); (v) porque Cristo apresentou o Decálogo ao jovem rico como o código perfeito de Deus que se integralmente obedecido garantiria a posse da vida eterna (Marcos 10.17-19); (vi) porque a Igreja, iluminada pelo Espírito, em suas mais variadas vertentes, sempre recebeu o Decálogo como a exposição fiel da Lei moral de Deus, dando a ele um lugar especial em seus símbolos de fé.
       Visto que o Decálogo é um resumo da Lei Moral de Deus, o quarto mandamento que ordena a guarda do sábado não pode ser um preceito cerimonial distinto dos outros nove. Além disso, o descanso semanal foi instituído antes da Queda (Gênesis 2.1-4), antes, portanto, que se pudesse estabelecer qualquer preceito cerimonial. Sendo anterior à Queda, a observância semanal não pode ser da mesma natureza daqueles princípios cerimoniais que fazem parte dos rituais de expiação do Antigo Pacto. Assim, visto que o quarto mandamento é moral, sua obediência permanece obrigatória a todos os homens tanto quanto os demais mandamentos do Decálogo.
       Há quem admita que o quarto mandamento seja um preceito moral e que sua observância continue em nossos dias, mas afirmam que ele não mais se refere à observância de um dia. Ensinam que cumprimos o quarto mandamento, hoje, simplesmente por descansarmos nossa salvação em Cristo ou por separarmos todos os dias um momento de descanso e dedicação a Deus. Mas se isso é assim, não haveria necessidade do quarto mandamento. Se não houvesse o quarto mandamento, a Igreja continuaria descansando sua salvação em Cristo e ainda estaria obrigada pela Lei a cultuar a Deus e repousar diariamente. Além disso, mesmo com o quarto mandamento, Israel, no Antigo Testamento, já cumpria todas essas coisas. Os cristãos do Antigo Testamento descansavam sua fé no Messias vindouro e tinham a obrigação de dedicar-se a Jeová diariamente (Salmos 1.2). Assim, se a guarda do quarto mandamento significa meramente a dedicação e o descanso diário que os cristãos sempre observaram, mesmo sob o Antigo Pacto, o quarto mandamento se tornaria supérfluo e desnecessário. No entanto, tanto a Igreja do Antigo, quanto a do Novo Pacto, ainda que observassem um descanso e devoção diários, nunca desprezaram por isso a necessidade de guardar um dia em sete para o culto e repouso solene. Como bem observou Jonathan Edwards:

"Alguns dizem que o quarto mandamento é perpétuo, mas não no seu sentido literal; não como se designasse certa proporção particular de tempo para ser separada e devotada ao descanso literal e a exercícios religiosos. Dizem que ele prevalece apenas em seu sentido místico, isto é, que este descanso semanal dos judeus tipificava o descanso espiritual da Igreja Cristã; e que os que estão debaixo do Evangelho não devem fazer distinção entre dias e dias, mas manter todos os dias santos, fazendo tudo de uma maneira espiritual. Mas esta é uma maneira absurda de interpretar o mandamento, no que se refere aos Cristãos. Pois se foi abolido a esse ponto, está inteiramente abolido, uma vez que é seu exato propósito fixar o tempo da adoração. O primeiro mandamento fixa o objeto, o segundo os meios, o terceiro a forma, o quarto o tempo. E, se prevalece agora apenas como se indicasse o descanso espiritual do Cristão, e o santo proceder em todos os tempos, não mais permaneceria como um dos dez mandamentos, mas como um resumo deles.”[1]

Além disso, o mandamento diz explicitamente que se deve descansar após seis dias de trabalho. Se guardar o quarto mandamento não inclui observar um dia semanal, um princípio básico do mandamento teria sido modificado. A letra escrita de cada um dos mandamentos do Decálogo permanece inalterável, não devemos pensar que “não matarás”, por exemplo, signifique outra coisa que “não matarás”, de igual modo, não podemos achar que “trabalharás seis dias e descansarás no sétimo”, signifique algo menos que “trabalhar seis dias e descansar no sétimo” (Êxodo 20.9-10: seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas.”).
Como observou Jonathan Edwards, embora o dia de guarda tenha mudado, o mandamento de observar um Sabath a cada sete dias permanece inalterável:

"As palavras do quarto mandamento não determinam em que dia da semana devemos guardar como um Sabath; elas meramente determinam que devemos descansar e guardar como um Sabath todo sétimo dia, ou um dia depois de cada seis... E esta é nossa obrigação perpétua... O quarto mandamento, de fato, supõe um determinado dia particular, mas não aponta esse dia...Mas, pelo quarto mandamento, jamais saberiam quando cairia esse dia específico... O preceito no quarto mandamento deve ser tomado, na sua generalidade, como um sétimo dia que Deus havia de apontar, ou já teria apontado...As palavras do quarto mandamento podem obrigar a Igreja, sob diferentes dispensações, a observar determinados dias sétimos diferentes, bem como o quinto mandamento pode obrigar diferentes pessoas a honrar diferentes pais e mães...Portanto, na instituição do Sabath Cristão, não há mudança no quarto mandamento; mas a mudança é em outra lei, que determinava o início e o fim dos dias de trabalho dos Judeus... Estas palavras [do quarto mandamento] não se tornam insignificantes para os Cristãos, pela instituição do Sabath Cristão: elas ainda permanecem em total vigor naquilo que especialmente se pretende por elas."[2]

É claro que o quarto mandamento inclui separar momentos diários de repouso e devocionais, bem como o descanso espiritual em Cristo (Mateus 11.28), mas não menos que o descanso semanal, assim como a proibição "não matarás", que embota inclua tudo o que esteja envolvido no princípio de proteção à vida, não inclui menos do que a proibição ao homicídio.

Objeção 3: Romanos 14.5-6 diz que o cristão maduro não faz distinção de dias, mas considera todos os dias iguais.
       A grande questão é se os dias dos quais o apóstolo trata aqui inclui o sábado moral, ou se ele se limita a se tratar da observância cerimonial dos dias judaicos. Se for o último caso, este texto está em harmonia com outros no Novo Testamento que falam da abolição dos dias cerimoniais do judaísmo (Colossenses 2.16-17; Gálatas 4.10). Mas se adotarmos a primeira interpretação, temos que admitir que o apóstolo Paulo está chamando de “fracos” aqueles que seguiam a prática comum da Igreja de dar uma consideração especial para o domingo (Atos 20.6-7; 1 Coríntios 16.2) e de considerá-lo o Dia do Senhor (Apocalipse 1.10). Como essa última interpretação é absurda, temos que concluir que a questão do quarto mandamento não é o ponto de discussão do apóstolo nesta passagem. O Didaquê (65 – 150 d.C.), por exemplo, ao mesmo tempo em que ordena a guarda do Domingo: “Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.”(14.1 compare isso com Atos 20.7: no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão), também condena os judaizantes que faziam distinções de dias especiais (8.1: “Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.”) [4]. Além disso, em grego, a palavra “igual” não aparece em Romanos 14.5.

Objeção 4: Visto que o Novo Testamento não tem nenhum preceito explícito sobre a guarda domingo, o que permanece do quarto mandamento é a observância de um dia em sete. A Igreja, por convenção, adotou o primeiro dia da semana porque Cristo nele ressuscitou, mas poderia ter adotado qualquer outro dia se assim o quisesse.
       Com a nova administração da Aliança da Graça, alguns mandamentos, não obstante permanecessem essencialmente os mesmos, sofreram mudanças. Assim, por exemplo, embora o segundo mandamento estabelecesse o princípio regulador do culto a Deus, no Antigo Pacto ordenava-se que esse princípio fosse observado prestando a Jeová um culto que envolvia sacrifícios e rituais cerimoniais. O princípio de que o culto a Deus deveria ser regulado por Ele mesmo permaneceu inalterável, mas, na nova administração, a observância desse mesmo princípio não se dá pela prestação de um culto que siga estritamente os rituais da Lei cerimonial. A Igreja continuou observando o segundo mandamento, mas esse perdeu suas características cerimoniais e recebeu novas nuances com a nova administração. Observar o segundo mandamento seguindo os ritos da antiga dispensação tornou-se até mesmo pecado.
          Embora o Novo Testamento não tenha uma ordenança explícita sobre o Domingo, seu estabelecimento segue o mesmo raciocínio da passagem da circuncisão para o batismo e da páscoa para a ceia. Esses dois preceitos quando passam para o Novo Testamento, conservam uma continuidade histórica tão cristalina com sua forma anterior, que não há necessidade de um preceito que explicite isso. Não temos, por exemplo, um preceito explicitamente ordenando o batismo infantil, mas a continuidade histórica entre a circuncisão e o batismo é tão clara, que não houve necessidade de uma ordenança explícita para que o mandamento fosse recebido pela Igreja.
       Desse modo, a mudança de dia foi natural. Até a ressurreição a Igreja observava o sétimo dia como seu dia de adoração e de descanso sagrado, depois da ressurreição, a Igreja passou a guardar o primeiro dia como seu dia de culto e repouso solene. O mesmo apreço que a Igreja tinha pelo sábado no Antigo Pacto passou a nutrir agora pelo Domingo na nova dispensação. A continuidade histórica era tão clara quanto aquela que estabeleceu o batismo como a circuncisão cristã e a ceia como a páscoa cristã. Desse modo, a Igreja outra coisa não fez senão receber o Domingo como o sábado cristão. Assim como é absurdo exigir que o Novo Testamento tenha um mandamento explícito sobre o batismo infantil, é uma presunção injustificada a exigência de um mandamento explícito sobre o Domingo no Novo Testamento:

"Quem pode positivamente dizer que, se houvesse sido a vontade de Deus que guardássemos o primeiro dia da semana, Ele o teria ordenado em termos expressos, como o fez com a observância do antigo sétimo dia? Na verdade, se Deus assim houvesse criado nossas faculdades, que não fôssemos capazes de receber uma revelação de Sua vontade de outra maneira, então haveria alguma razão em afirmar isso. Mas Deus nos deu tal entendimento, que somos capazes de receber uma revelação quando é feita de maneira diversa. E, se Deus lida conosco de acordo com nossas naturezas, e de maneira adequada a nossas capacidades, é o suficiente. Se Deus desvenda Sua vontade de outra maneira qualquer, desde que seja de acordo com nossas faculdades, somos obrigados a obedecê-la; e Ele deve esperar nosso reconhecimento e observância de Sua revelação, da mesma maneira como se a houvesse revelado em termos expressos."[4]

       A escolha do dia não foi efetuada por mera convenção. Foi Deus quem estabeleceu, desde cedo, não só o princípio do repouso semanal, mas também em qual dia esse descanso havia de ser realizado. Lemos desde o princípio que Deus santificou o sétimo dia (Gênesis 2.2-3). Na nova administração permanece o mesmo princípio, cabe a Deus estabelecer o dia em que Ele quer ser especialmente cultuado. Foi Cristo quem ressuscitou no Domingo, foi Ele quem derramou o Espírito Santo sobre a Igreja em um Domingo e foi o mesmo Cristo quem descortinou sua revelação final à Igreja em um Domingo (Apocalipse 1.10). Logo, foi Cristo quem efetuou a mudança do sábado para o Domingo.
       A própria Escritura estabelece o Domingo como o dia de guarda quando o chama de “o Dia do Senhor”. Que Apocalipse 1.10 se refere ao Domingo, e não ao Dia do Senhor escatológico, fica claro: (i) porque contexto está dando informações sobre onde (“na ilha de Patmos” v.9), como (“em espírito” v.10) e quando (“no dia do Senhor”) o apóstolo recebeu a revelação;  (ii) porque a expressão usada no grego κυριακῇ ἡμέρᾳ é distinta daquela usada no Novo Testamento para o dia escatológico, a saber, “ἡμέρα Κυρίου/ Ημέρα του Κυρίου”; (iii) porque a expressão “dia senhorial” foi usada como contraposição aos dias de culto ao Imperador, de modo que assim como os pagãos tinham um dia de culto ao Kyrios-Imperador, os cristãos tinham um dia de culto ao seu Senhor, isto é, o Domingo (Atos 20.6-7); (iv)  porque o Apocalipse de João foi escrito no final do primeiro século quando a guarda do Domingo já estava mais estabelecida na Igreja e (v) porque a partir da metade do segundo século, pouco depois da escrita do Apocalipse, já encontramos testemunhos históricos de que a Igreja observava o Domingo como o dia do Senhor.
Assim, sendo que a Escritura diz que é Deus quem especifica o dia de guarda, que foi Cristo quem efetuou a mudança do sábado para o Domingo e visto que o Novo Testamento declara expressamente que o Domingo é o Dia do Senhor, somos proibidos de dizer que o dia específico de culto ao Senhor pode ser estabelecido por convenção. O Deus que pelo princípio regulador do culto estabelece como deve ser adorado, também é Aquele que tem a prerrogativa de instituir o dia de culto.

Objeção 5: A mudança do Sábado para o Domingo foi efetuada por Constantino no quarto século.
Resposta: Além dos argumentos precedentes que provam que o Domingo é o dia do Senhor conforme as Escrituras, podemos citar evidências históricas da patrística que provam que o primeiro dia da semana é reconhecido pela Igreja como o sábado cristão mesmo antes de Constantino [5]:
A Epístola de Barnabé (cerca de 100 dC) - "Portanto, também nós mantemos o oitavo dia com alegria, o dia também em que Jesus ressuscitou dos mortos”.
A Epístola de Inácio (cerca de 107 dC) - "Não vos enganeis com estranhas doutrinas, nem com as fábulas antigas, que não são proveitosas. Porque, se nós ainda vivemos segundo a Lei Judaica, nós reconhecemos que não temos recebido Graça... Portanto, aqueles que foram educados na antiga ordem das coisas vieram à posse de uma nova esperança, não mais observando o sábado, mas vivendo na observância da Dia do Senhor, em que também a nossa vida surgiu novamente por Ele e por Sua morte”.
Justino Mártir (cerca de 140 dC) - "E no dia chamado domingo todos os que vivem nas cidades ou no campo se reúnem em um só lugar, e as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas são lidos. ... Mas o Domingo é o dia em que todos têm uma assembleia em comum, porque é primeiro dia da semana em que Deus ... fez o mundo; e Jesus Cristo, nosso Salvador no mesmo dia ressuscitou dos mortos ".
Bardesanes, Edessa (180 dC) - "No primeiro da semana, nós nos reunimos juntos, em assembleia".
Clemente de Alexandria (194 dC) - "Ele, em cumprimento do preceito, segundo o evangelho, mantém o Dia do Senhor ... glorificando ao Senhor pela Sua ressurreição".
Tertuliano (200 dC) - "Nós tornamos solene o dia depois do sábado, em contradição com aqueles que chamam este dia o seu sábado".
Irineu (cerca 155-202 dC) "O mistério da ressurreição do Senhor não pode ser comemorado em qualquer dia senão no Dia do Senhor, e somente nele devemos observar o descanso da festa de Páscoa."
Cipriano (250 dC) - "O oitavo dia, isto é, o primeiro dia após o sábado, é o Dia do Senhor ".
Anatólio (AD 270) - "Nossa preocupação com a ressurreição do Senhor, que teve lugar no Dia do Senhor nos levará a celebrá-lo".
Pedro, Bispo de Alexandria (306 dC) - "Mas o Dia do Senhor, nós celebramos como um dia de alegria, porque nele, Ele [o Senhor] ressuscitou”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

            É claro que pode haver discussões sobre o que se pode e não fazer no Domingo, assim como há discussões sobre que roupas se podem ou não vestir para não ferir a modéstia. Também é verdade que todos os que guardam o Domingo o fazem de maneira imperfeita e incoerente, mas a autoridade de nenhum mandamento se baseia na prática imperfeita dos cristãos, mas na Lei perfeita de Deus. Aqueles que desprezam a guarda do quarto mandamento, não observando o primeiro dia da semana, estão transgredindo os santos mandamentos de Deus. Devemos defender o Domingo como o dia no qual a Igreja observa o quarto mandamento, mas não só isso, devemos observá-lo como dia de culto e descanso solene. Benditos sejam aqueles que observam o sábado cristão e não profanam o santo dia do Senhor: “Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto: que se abstém de profanar o sábado, e guarda a sua mão de cometer o mal.” - Isaías 56.2.

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FONTES:
[1] Jonathan Edwards. A Mudança e Perpetuidade do Sabath, p.10.
[2] Jonathan Edwards. A Mudança e Perpetuidade do Sabath, pp.14,15,16.
[4] Jonathan Edwards. A Mudança e Perpetuidade do Sabath, p.7.


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